Crise na Venezuela

Caracas condena intromissão externa e adverte com novas medidas contra políticos

Ariana Cubillos

"Deixem de se meter nos assuntos internos da Venezuela (...) qualquer ato de agressão contra a Venezuela, terá uma resposta imediata".

O presidente da Assembleia Constituinte (AC) da Venezuela, Diosdado Cabello, advertiu esta quinta-feira os países que condenaram a detenção, quarta-feira, do vice-presidente do parlamento Edgar Zambrano para que não se intrometam nos assuntos internos venezuelanos.

"Deixem de se meter nos assuntos internos da Venezuela (...) qualquer ato de agressão contra a Venezuela, terá uma resposta imediata", disse.
Diosdado Cabello, que é tido como o segundo homem mais forte do chavismo (depois de Nicolás Maduro) falava no Estado venezuelano de Monágas, durante um ato de ajuramentação da direção local do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo).

O líder socialista frisou, ainda, que haverá novas medidas contra outros políticos venezuelanos, além dos parlamentares opositores aos quais a AC (composta unicamente por simpatizantes do regime) levantou a imunidade.

"Estamos alegres porque a justiça vai funcionar", frisou.

Diosdado Cabello adiantou que "a justiça tem vindo a funcionar, mas os tempos da justiça não são os tempos da política, nem os meus tempos, nem os tempos que eu queira. Não! Os tempos da justiça são os tempos da justiça".

"Ontem [quinta-feira] foi detido um dos chefes da 'intentona militar'. Estava vestido com um fato porque pensou que seria ajuramentado de algo, talvez de vice-presidente [da República] ", disse, fazendo alusão aos acontecimentos de 30 de abril, dia em que um grupo de militares declararam apoio a Juan Guaidó e, em conjunto com vários políticos, chamaram os venezuelanos às ruas na tentativa de provocar uma mudança de regime.

Por outro lado, explicou que a atuação das autoridades esteve "apegada aos direitos humanos", mas que hoje há ameaças "desde os EUA", dizendo que, se não for libertado "haverá consequências".

"Não é apenas Edgar Zambrano. Egdar Zambrano é um. A Assembleia Constituinte levantou a imunidade parlamentar a sete deputados e autoriza que sejam julgados. Por isso, os tempos da justiça são outros", disse.

Funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência da Venezuela (Sebin, serviços secretos) detiveram na quarta-feira o vice-presidente do parlamento, Edgar Zambrano.

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) venezuelano acusou o vice-presidente do parlamento dos crimes de traição à pátria e conspiração, por ter apoiado uma tentativa de golpe de Estado contra o Presidente do país, Nicolás Maduro.

O STJ acusou também quarta-feira três deputados opositores de "traição à pátria e conspiração", elevando para 10 o número de parlamentares acusados por aqueles mesmos delitos.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da AN, Juan Guaidó, jurou assumir as funções de presidente interino e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio de mais de 50 países, incluindo os EUA e a maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, que o reconheceram como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Na madrugada de 30 de abril, um grupo de militares manifestou apoio Juan Guaidó, que pediu à população para sair à rua e exigir uma mudança de regime.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

À crise política na Venezuela soma-se uma grave crise económica e social, que já levou mais de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, de acordo com dados da ONU.

Lusa

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