Crise na Venezuela

Guaidó diz que Parlamento pode autorizar militares estrangeiros na Venezuela

PAULO CUNHA

Juan Guiadó disse que a hipótese de uma missão militar estrangeira na Venezuela é uma opção sobre a mesa.

O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, disse numa entrevista gravada quinta-feira que uma "cooperação militar estrangeira não seria uma intervenção" porque o Parlamento, que lidera, pode autorizá-la.

Juan Guiadó disse que a hipótese de uma missão militar estrangeira na Venezuela é uma opção sobre a mesa, que tem sido analisada pela oposição ao regime de Nicolas Maduro e discutida com o Presidente dos EUA, Donald Trump, e com o Presidente do Equador, Lenin Moreno.

Em vários momentos, Donald Trump tem admitido que, para a solução da crise na Venezuela, "todas as opções estão em cima da mesa", não rejeitando uma intervenção militar dos EUA em cooperação com outros países.

"Responsavelmente, devemos avaliar todas as opções. No caso da cooperação militar estrangeira, não seria intervenção, porque o Parlamento Nacional é o único (órgão) que poderia autorizar missões militares estrangeiras", disse o autoproclamado Presidente interino e também presidente da Assembleia Nacional, numa entrevista à cadeia televisiva Telemundo.

"Temos discutido todas as possibilidades, para perceber qual é a melhor opção, a que em menos tempo possível nos ajude a resolver a emergência, produza estabilidade, governabilidade e nos conduza a uma eleição", explicou Juan Guaidó.

Na opinião de Guaidó, há muito tempo que se ultrapassou a linha vermelha que justifica uma presença militar estrangeira, dizendo que a única que para já se verifica é a de militares de Cuba, com agentes de informação e contra-informação, e a de aviões russos, situação que classificou de "escandalosa".

Juan Guiadó reconheceu que a oposição a Maduro precisa de mais apoio das forças armadas e está convencido de que os militares tentam evitar um "confronto entre irmãos".

"Nós não queremos um confronto entre as forças armadas, vamos esperar até que eles possam falar como um só bloco", afirmou.
Guaidó negou que o seu movimento esteja a perder força e disse que continua a fazer progressos na "Operação Liberdade", que começou em 30 de abril passado 30 para retirar o poder a Nicolas Maduro.

"Em 30 de abril, o que sucedeu foi um verdadeiro sucesso para os venezuelanos, porque percebemos que as forças armadas já não estão ao lado da ditadura", disse Guaidó.

Por isso, o autoproclamado Presidente interino acredita numa solução para a crise e que será possível restaurar a democracia.
Guaidó disse que se não tem havido mais apoio para a sua causa é apenas por causa do medo reinante no país e porque muitos cidadãos vivem do "subsídio" atribuído pelo Estado, ficando dele dependentes.

"A relação do cidadão da Venezuela com o Estado é uma relação de terror", concluiu Juan Guaidó.

Lusa