Crise na Venezuela

Noruega confirma encontros exploratórios entre Governo venezuelano e oposição

Carlos Jasso

Juan Guaidó confirmou na quinta-feira os contactos que decorreram na Noruega.

As autoridades norueguesas confirmaram hoje a sua mediação no sentido de iniciar o diálogo político entre "o Governo venezuelano e a oposição", para que seja alcançada uma solução para a crise na Venezuela.

"A Noruega informa que manteve contactos preliminares com representantes dos principais atores políticos da Venezuela, numa fase exploratória, com o objetivo de apoiar a busca de uma solução para a situação no país", refere uma A diplomacia norueguesa elogiou os "esforços" de ambas as partes e mostrou disposição para continuar a apoiá-las "na procura de uma solução pacífica".


O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países, confirmou na quinta-feira os contactos que decorreram na Noruega.


"Sim, há uns enviados à Noruega [Notes:...] . Mas também o afirmo até me cansar que não nos vamos prestar a negociações falsas e que não nos conduzam a três coias: fim da usurpação, governo de transição e eleições livres", afirmou Guaidó.


A televisão pública norueguesa NRK noticiou na quinta-feira que os contactos entre as duas partes começaram em Cuba, sendo que depois foram mantidas várias reuniões num local secreto em Oslo.


A delegação do Governo venezuelano foi constituída pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, e pelo governador de Miranda, Héctor Rodríguez, e a oposição foi representada pelo vice-presidente da Assembleia Nacional, Stalin González, pelo ex-deputado Gerardo Blyde e pelo ex-ministro Fernando Martínez Mottola.


Os nomes dos representantes da oposição foram mencionados por Guaidó, mas o Governo venezuelano não fez qualquer declaração oficial.


Guaidó, que há duas semanas encabeçou uma tentativa de levantamento militar em Caracas - encarada pelo Governo como golpe de Estado -, disse que "não há nenhum tipo de negociação" a não ser a resposta a uma proposta da Noruega, que se "esforçou" em iniciar "uma mediação".
Segundo o líder da oposição, a iniciativa procura um processo de saída para a crise e "parte de um país (Noruega) que quer colaborar".


Guaidó acrescentou que a mediação norueguesa é semelhante à que foi proposta por Espanha, pelo Canadá e pelo Grupo de Contacto formado por países da América Latina e da União Europeia, incluindo Portugal.


Entre setembro de 2017 e janeiro de 2018, Governo e oposição venezuelanos estabeleceram momentos de diálogo na República Dominicana, mas que não produziram resultados.


Ao contrário de outros países do continente europeu, a Noruega -- que não faz parte da União Europeia -- não reconhece Guaidó como presidente interino, apesar de o Governo de Oslo ter demonstrado apoio à oposição, pedindo diálogo e a realização de novas eleições.


A ministra dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Ine Eriksen Soreide, disse em janeiro que o país mantinha diálogo com as partes e que tinha oferecido ajuda para promover um novo processo político.


A Noruega desempenhou funções de mediação em mais de 20 processos de diálogo nas últimas décadas, destacando-se os acordos de Oslo entre israelitas e palestinianos ou as conversações entre o governo da Colômbia e as FARC.


Entretanto, o Presidente de facto da Venezuela, Nicolás Maduro, teve na quinta-feira uma reunião, no Palácio Presidencial em Caracas, com o Grupo de Contacto Internacional.


A missão conta com representantes de Portugal, Espanha, Alemanha, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia e, por parte da América Latina, com representantes da Costa Rica, Uruguai, Equador e Bolívia.


Maduro indicou através de uma mensagem transmitida pela rede social Twitter que a reunião servir para informar acerca das "consequências do bloqueio e as sanções impostas pelos imperialistas dos Estados Unidos contra a Venezuela".


O Grupo de Contacto tinha também previstos encontros com a oposição venezuelana.
nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Oslo.

Lusa

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