Crise na Venezuela

Uma em cada três crianças precisam de ajuda nutricional na Venezuela

Ricardo Moraes

O aprofundamento da crise no país terá expulsado mais de 750 mil crianças e adolescentes do sistema escolar.

Cerca de uma em cada três crianças na Venezuela precisa urgentemente de assistência nutricional, de saúde e de educação, revelou esta sexta-feira a Unicef, que espera obter recursos adicionais para fortalecer as suas atividades no país.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), dos dez milhões de crianças na Venezuela, 3,2 milhões precisam urgentemente dessa assistência básica, bem como de medidas de proteção para evitar que sejam vítimas de abuso e exploradas, face ao agravamento da crise.

Segundo dados da ONU, o aprofundamento da crise na Venezuela terá expulsado mais de 750 mil crianças e adolescentes do sistema escolar.

"Estamos preocupados que a situação atual reduza o acesso (das crianças) a serviços essenciais e aumente a sua vulnerabilidade, fazendo com que se percam anos de progresso", disse em Genebra o porta-voz do Unicef, Christophe Boulierac.

"É claro que devemos aumentar as nossas atividades", mas o principal obstáculo para isso é que os recursos financeiros são sempre escassos, lamentou o porta-voz.

Boulierac mencionou a necessidade de "vacinar mais crianças, protegê-las de doenças infecciosas e apoiar a sua nutrição", citando apenas algumas áreas em que as crianças venezuelanas enfrentam dificuldades.

A Unicef trabalha na Venezuela sem dificuldades de acesso ou temores de desvio ou mau uso da sua ajuda.

"Estamos livres para trabalhar, mas temos limitações relacionadas principalmente aos recursos que temos", explicou Boulierac.

Desde o início do ano, a Unicef organizou a entrada de 55 toneladas de ajuda na Venezuela, principalmente suprimentos médicos - incluindo material obstétrico, antibióticos e tratamentos contra a malária - que foram distribuídos em 25 hospitais do país.

No ano passado, a ajuda humanitária fornecida pela agência da ONU totalizou 200 toneladas.

A Unicef reconheceu que há uma falta de dados confiáveis sobre a situação social na Venezuela, mas organizações internacionais determinaram que a mortalidade de crianças menores de cinco anos duplicou, de 14 por 1.000 nados-vivos entre 2010-2011 e para 31 por 1.000 nados-vivos em 2017.

Lusa

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