Crise na Venezuela

El Salvador expulsa diplomatas indicados por Maduro e reconhece Guaidó como Presidente

Presidente de El Salvador Nayib Bukele

Rodrigo Sura / EPA

O corpo diplomático venezuelano tem 48 horas para deixar El Salvador.

O Governo de El Salvador ordenou no sábado a expulsão dos diplomatas nomeados pelo Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e reconheceu o líder da oposição, Juan Guaidó, como Presidente interino da Venezuela.

“O Governo de El Salvador expulsa o corpo diplomático do regime de Nicolás Maduro, em consonância com as repetidas declarações do Presidente Nayib Bukele, que não reconhece a legitimidade do Governo de Maduro”, lê-se num comunicado publicado na conta oficial de Bukele no Twitter.

O corpo diplomático venezuelano tem 48 horas para deixar El Salvador, de acordo com a mesma nota.

O Governo salvadorenho também “reconhece a legitimidade do Presidente interino, Juan Guaidó, até que sejam realizadas eleições livres de acordo com a Constituição venezuelana”.

A decisão, refere o comunicado, vai ao encontro da resolução aprovada a 28 de agosto pelo conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), na qual 20 países, incluindo El Salvador, condenaram “as graves e sistemáticas violações dos direitos humanos na Venezuela”.

Bukele, de 38 anos, do partido conservador Grande Aliança pela Unidade Nacional (GANA), tem criticado repetidamente o “regime de Maduro” e não convidou o Presidente venezuelano para a sua tomada de posse, a 01 de junho último.

“Ditadores como Maduro na Venezuela nunca terão qualquer legitimidade, porque permanecem no poder pela força e não respeitam a vontade dos seus povos”, disse Bukele, dias antes de assumir a presidência do país centro-americano.

Com esta decisão, Bukele rompe com o apoio que os Governos anteriores, especificamente os da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), deram a Maduro e ao seu antecessor, Hugo Chávez.

O FMLN, antiga guerrilha transformada em partido político após a assinatura dos acordos de paz, em 1992, era próximo dos governos de Maduro e Chávez, de modo que a administração de Salvador Sánchez Cerén (2009-2014) se absteve de votar nas sessões da OEA dedicadas à crise venezuelana.

Lusa