Crise no Sporting

Sporting suspende processo disciplinar ao ataque a Alcochete até à conclusão da instrução em tribunal

(Arquivo)

LUSA

Clube justificou decisão por "estarem a decorrer atos de instrução no âmbito do processo criminal em curso".

Comunicado do Sporting Clube de Portugal disponível no site diz que, tendo presente que no âmbito de um processo disciplinar "é imprescindível a alocação individual de responsabilidades de forma estrita e rigorosa", o Sporting "deliberou suspender o procedimento em curso até à conclusão da instrução" e aguardar, com prudência, "por posteriores desenvolvimentos".

Este processo disciplinar foi iniciado pela Comissão de Fiscalização do Sporting em 17 de julho de 2018 e na sequência da tomada de posse do atual Conselho Fiscal e Disciplinar iniciou-se a recolha de múltiplos elementos probatórios com vista ao apuramento completo de todas as responsabilidades.

"Com a dedução da acusação e depois de terem sido realizadas outras diligências instrutórias foi possível complementar essa análise e circunscrever o grupo de sócios que alegadamente estiveram envolvidos naquele incidente, estando o processo quase concluído", refere em comunicado o Conselho Fiscal e Disciplinar.

O início da fase de instrução do ataque à Academia do Sporting foi hoje adiado pela segunda vez pelo juiz Carlos Delca, devido à apresentação de um novo pedido de afastamento do processo deste juiz de instrução criminal (JIC), que foi entregue por um dos advogados na sexta-feira.

A instrução, fase facultativa em que o JIC vai decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento, foi requerida por mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto.

O processo pertence ao Tribunal de Instrução Criminal do Barreiro, mas, por razões de logística e de instalações, a fase de instrução vai decorrer na nova sala do edifício A do Campus da Justiça, no Parque das Nações, em Lisboa.

Os primeiros 23 detidos pela invasão à academia e consequentes agressões a técnicos, futebolistas e outros elementos da equipa leonina, ocorrida em 15 de maio do ano passado, ficaram todos sujeitos à medida de coação de prisão preventiva em 21 de maio.

Em 15 de novembro do ano passado, exatamente seis meses após o ataque à academia, a procuradora Cândida Vilar (que será a procuradora do Ministério Público na fase de instrução), deduziu acusação contra 44 arguidos, incluindo Bruno de Carvalho e 'Mustafá, líder da claque Juventude Leonina.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque, o Ministério Público imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados. O líder da claque Juventude Leonina está também acusado de um crime de tráfico de droga.

Com Lusa

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