Daesh

Alemanha e Dinamarca repatriam da Síria mulheres e crianças familiares de jihadistas

O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão diz tratar-se da maior operação de repatriação realizada por Berlim, desde 2019.

Um total de 11 mulheres e 37 crianças alemãs e dinamarquesas foram repatriadas do norte da Síria e seis das mulheres foram detidas quando chegaram, na noite de quarta para quinta-feira, à Alemanha e à Dinamarca.

A Alemanha repatriou oito mulheres que se tinham juntado ao grupo jihadista do Daesh e 23 crianças, na maior operação do género realizada por Berlim desde 2019, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Na mesma operação, realizada com o apoio logístico do exército norte-americano, a Dinamarca tirou da Síria três mulheres e 14 crianças, segundo um comunicado da diplomacia alemã divulgado na noite de quarta para quinta-feira.

"As crianças não são responsáveis pela sua situação (...). As mães terão de responder pelos seus atos perante a justiça. Muitas delas foram detidas após a sua chegada à Alemanha", indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, citado no comunicado.

O ministro declarou-se "feliz" com o resultado da operação. "São principalmente crianças que estão doentes ou têm um tutor na Alemanha, assim como os seus irmãos e irmãs e suas mães", segundo o ministério.

As mulheres e as crianças, alemãs e dinamarquesas, estavam detidas no campo de Roj, no nordeste da Síria, sob controlo curdo.

Esta quinta-feira, a Procuradoria Federal alemã, com competência em matéria de terrorismo, anunciou a detenção de três das mulheres vindas da Síria quando chegaram a Frankfurt, por serem "suspeitas de pertencerem a uma organização terrorista no estrangeiro".

Uma delas, apresentada como Romiena S., é igualmente suspeita de cumplicidade em crimes contra a Humanidade relacionados com as atrocidades cometidas pelo Daesh contra a minoria yazidi, de acordo com o comunicado da procuradoria de Karlsruhe.

Os serviços sociais da Dinamarca também anunciaram esta quinta-feira num comunicado que as três mulheres repatriadas foram detidas pela polícia quando aterraram no aeroporto de Karup (oeste do reino).

Segundo as autoridades dinamarquesas, as mulheres estão a ser processadas por "promover atividades terroristas", assim como pela sua "entrada e residência numa zona de conflito".

Durante muito tempo relutante em relação ao repatriamento, Copenhaga indicou em meados de maio querer trazer da Síria 19 crianças dinamarquesas filhas de jihadistas devido às más condições nos campos de detenção.

Também pretende repatriar cinco outras crianças filhas de dinamarqueses que ainda se encontram na Síria, mas as suas mães, que perderam a nacionalidade dinamarquesa e que não seriam repatriadas, ainda não deram o seu consentimento.

Desde a queda em março de 2019 do "califado" do Daesh, a comunidade internacional enfrenta o difícil problema do repatriamento das famílias dos jihadistas capturados ou mortos na Síria e no Iraque. A maioria dos países da União Europeia tem realizado repatriamentos caso a caso.