Europeias 2019

Emmanuel Macron apresenta aliança de partidos liberais da Europa

YOAN VALAT

O partido do Presidente de França, Emmanuel Macron, lançou este sábado em Estrasburgo uma aliança de partidos liberais da Europa, por "um novo sopro e uma nova energia" para a União Europeia face ao nacionalismo eurocético que a "ameaça".

A cabeça de lista do partido En Marche, a ex-ministra para os Assuntos Europeus Nathalie Loiseau, falou de "um momento histórico", em que a Europa enfrenta desafios colocados por quem quer destruir, referindo-se aos nacionalistas eurocéticos, e anunciou uma aliança entre partidos liberais, "sempre pela construção, nunca pela obstrução".

"Dizer sim à Europa, sim a mais Europa e proteger a Europa", afirmou, depois de referências indiretas aos partidos nacionalistas que, encabeçados pelo líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, anunciaram uma aliança no futuro Parlamento Europeu (PE).

O partido de Macron, En Marche, reuniu neste comício em Estrasburgo (nordeste de França) 12 partidos liberais europeus com os quais pretende formar um novo grupo liberal no PE após as eleições europeias que vão decorrer entre 23 e 26 de maio.

Representantes desses partidos, entre os quais o espanhol Cidadãos (Cs), o alemão Partido Liberal (FDP), os holandeses Partido Popular para a Liberdade e a Democracia (VVD) e Democratas 66 e os belgas Liberais e Democratas Flamengos (VLD) e Movimento Reformador, subiram ao palco para se dirigirem aos apoiantes.

À exceção do Partido Democrático (PD) italiano, que atualmente pertence ao grupo dos socialistas no PE, quase todos os partidos convidados integram a Aliança dos Liberais e Democratas (ALDE) no atual PE.

E, à exceção do Cidadãos, que as sondagens preveem consiga eleger 14 eurodeputados, os outros partidos presentes em Estrasburgo deverão eleger individualmente poucos eurodeputados.

Segundo a última projeção do PE, divulgada a 18 de abril, o FDP elegerá sete, o VVD cinco, o D66 e o VLD dois cada e o Nova Áustria (NEOS) um eurodeputado.

A Renascença (Renaissance En Marche), o nome pelo qual o partido de Macron faz campanha nestas eleições europeias, está à frente nas sondagens em França, mas por uma pequena margem de cerca de dois pontos percentuais sobre a União Nacional (ex-Frente Nacional), de Marine Le Pen.

Segundo a citada projeção do PE, o En Marche deverá eleger 22 eurodeputados e a União Nacional 20.

Para formar um grupo político no PE são necessários um mínimo de 25 eurodeputados de sete países.

O primeiro-ministro português, António Costa, enviou um vídeo que foi divulgado no encontro de Estrasburgo, no qual manifesta o seu apoio a Macron para "continuar a fazer avançar a Europa" e elogia a "determinação" do Presidente francês na "mudança progressista" necessária ao "renascimento europeu".

A intervenção de António Costa no 'meeting' do partido de Emmanuel Macron foi criticada na quinta-feira pela cabeça-de-lista do BE às eleições europeias durante um frente-a-frente da RTP3 com o cabeça-de-lista do PS, Pedro Marques, com Marisa Matias a acusar os socialistas de estarem na "geringonça" em Portugal, mas entenderem-se com a direita na Europa.

O cabeça-de-lista do PS contrapôs que a lista dos socialistas portugueses recebeu o apoio do Presidente Macron, num contexto de defesa da Europa, e, admitindo diferenças entre as correntes socialista, de centro-esquerda, e as liberais mais centristas, disse que "com alguns desses líderes ou chefes de Estado consegue-se falar, porque não estão voltados para os nacionalismos".

No final de março, o "número um" do movimento En Marche, Stanislav Guerini, esteve em Lisboa e reuniu-se com representantes do PS, da Iniciativa Liberal e do Movimento Europa e Liberdade (MEL) sobre futuras alianças no PE.

O responsável escusou-se então a falar de alianças, admitindo que En Marche e PS possam não estar no mesmo grupo, mas unir-se em votações sobre questões em que estejam de acordo.

"Há muitos pontos de convergência, há muitas coisas que podemos fazer juntos. António Costa e Emmanuel Macron trabalham bem juntos e sentem que podemos fazer coisas juntas. Vamos estar no mesmo grupo? Talvez, logo vemos. Mas se não no mesmo grupo, talvez na mesma coligação", disse, em entrevista à Lusa, a 29 de março.

"Porque é esta a nossa abordagem, de abertura. Trabalhamos naturalmente com parceiros liberais no ALDE [o grupo Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa no PE] , mas queremos alargar este grupo e talvez trabalhar com os social-democratas europeus, porque pensamos que temos mais ideias que partilhamos do que as que nos dividem", explicou.

Além de António Costa, o comício contou com mensagens vídeo do ex-primeiro-ministro italiano socialista Matteo Renzi e de Guy Verhofstadt, ex-primeiro-ministro belga e líder do ALDE.