Europeias 2019

Combate às alterações climáticas entre principais apostas dos "pequenos partidos"

Phil Noble / Reuters

Há também quem afirme que trabalharia "afincadamente para a dissolução da União Europeia" e para a "saída de Portugal da UE".

Os partidos que ainda não têm representação no Parlamento Europeu destacam que, entre as primeiras medidas que vão tomar, caso sejam eleitos, estão questões relacionadas com a proteção do ambiente e também com o combate às corrupção.

Durante um debate segunda-feira à noite na RTP, entre os candidatos dos partidos sem representação no Parlamento Europeu, Francisco Guerreiro, do PAN, avançou que a primeira medida que tentaria tomar seria "declarar na União Europeia a emergência climática", mas o candidato reconhece que tal ação requereria "vontade política, que não tem havido".

Na mesma senda, Rui Tavares, pelo Livre, defendeu que "o novo pacto verde é o Plano Marshall desta geração". Esta é uma medida que consta no manifesto eleitoral do partido e, segundo o cabeça de lista, "permite relançar a economia europeia" e fazer "a rapidíssima transição energética de que a Europa precisa", trazendo "a luta contra as alterações climáticas para perto das populações".

Gonçalo Madaleno, o mais novo candidato a estas eleições e que é o rosto do PTP, indicou que a primeira questão que trataria seria "o controlo dos juros que os bancos têm vindo a cobrar", classificando esta questão como "um pesadelo [com] que todos os dias" os cidadãos têm de lidar.

Ricardo Arroja, o cabeça de lista do partido Iniciativa Liberal, salientou que "não há reconhecimento transversal" a nível europeu dos cursos e das formações das pessoas, uma vez que "existem, no espaço da União Europeia, mais de 300 profissões reguladas", sendo "barreiras" que "não fazem sentido num espaço de livre circulação".

João Patrocínio, do PNR, advogou que "esta Europa está moribunda" e vincou ser necessário "renegociar fundos estruturais". Apontando também que "estes deputados não prestam", o candidato defendeu que os eleitos deverão "prestar contas" para os portugueses saberem "o que andaram lá a fazer este tempo todo".

Por seu turno, o cabeça de lista da Aliança, Paulo Sande, salientou que o partido quer "aproximar a Europa dos cidadãos" portugueses e indicou que "a Europa tem de crescer mais, e tem de ajudar os países que crescem menos a crescer mais".

Luís Júdice, do PCTP/MRPP indicou que, mal chegasse ao Parlamento Europeu, trabalharia "afincadamente para a dissolução da União Europeia e para a dissolução do euro", uma vez que é esta uma das principais bandeiras do partido, Portugal sair "logo que se possa" da União.

Paulo de Morais, o candidato do Nós, Cidadãos!, salientou que "o que é estritamente necessário é que os fundos europeus passem por crivo de transparência", considerando que "grande parte dos fundos" acabaram a "alimentar o carrossel da corrupção".

Assim, notou, a UE "tem de impor mais transparência a nível orçamental", porque "os portugueses têm todo o direito de saber onde estão a ir os seus impostos".

Na ótica do MAS, "esta Europa não serve a maioria dos que cá vivem", devendo tornar-se numa "Europa solidária e ambientalmente sustentável".

Para o PURP, "o principal foco" são as pessoas idosas e o combate à corrupção.Apontando que "é nos políticos que está a maior parte da corrupção", Fernando Loureiro precisou que é necessário atacar este flagelo para ter "um país mais digno e solidário com os que mais sofrem".

Relativamente à campanha eleitoral, que arrancou oficialmente na segunda-feira, a maioria destes partidos indicou que vai descartar os tradicionais comícios e, ao invés, apostar na internet para tentar recolher votos.

São 12 as forças políticas que concorrem às eleições europeias e que ainda não estão representados no Parlamento Europeu, mas apenas 10 participaram no debate transmitido esta noite na RTP.

Os cabeças de lista Marinho e Pinto (PDR) e André Ventura (coligação Basta) não marcaram presença, o primeiro por não concordar com o critério escolhido pela televisão pública, uma vez que já é eurodeputado, porém eleito por outro partido, e o segundo porque à mesma hora estava num programa de comentário desportivo, onde habitualmente participa, noutro canal.

Lusa

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