Europeias 2019

Primeiro cipriota turco eleito para o Parlamento Europeu

KATIA CHRISTODOULOU

Niyazi Kizilyurek diz que vai representar o Chipre e os seus cidadãos europeus, independentemente da origem étnica.

Os eleitores da ilha dividida de Chipre elegeram este domingo um cipriota turco para o Parlamento Europeu, e pela primeira vez desde a integração da República de Chipre no bloco comunitário em 2004.

Niyazi Kizilyurek, professor na Universidade de Chipre no departamento de Estudos do Médio Oriente e Turquia, estava incluído em segundo lugar nas listas do AKEL, com origem no Partido Comunista, e que garantiu a segunda posição no escrutínio logo a seguir ao conservador União Democrática (DISY), do Presidente Nicos Anastasiades.

Em declarações à televisão privada Sigma, Kizilyurek disse que vai representar o Chipre e os seus cidadãos europeus, independentemente da origem étnica.

O líder do AKEL, Andros Kyprianou, disse que a eleição de Kizilyurek, 60 anos, envia uma forte mensagem aos restantes países da União Europeia (UE) sobre o desejo dos cipriotas em terminarem com a divisão da ilha e obterem mais empenhamento da União numa solução negociada.

Os cipriotas turcos que podem apresentar-se ou votar nas eleições europeias têm de deslocar-se à parte sul da ilha para a campanha. A taxa de participação foi de 42,8%. Apesar das primeiras projeções, o partido da extrema-direita ELAM não conseguiu eleger um dos seis lugares de eurodeputados, apesar de ter duplicado a sua votação.

A República de Chipre, dois terços do território, atualmente com cerca de 850.000 habitantes onde predomina a população de origem grega cristã ortodoxa e as minorias arménia e maronita, foi fundada em 1960 após a sua libertação da ocupação britânica, mas a ilha apenas esteve unida de facto durante três anos, quando se iniciaram os conflitos entre as duas principais comunidades, num território onde predomina a população de origem grega.

Em 1974, a tentativa de Enosis (união à Grécia) implicou a divisão na ilha na sequência da invasão militar da Turquia, dolorosas trocas de populações e a ocupação da parte norte, onde nove anos depois será criada a República Turca de Chipre do Norte (RTCN, habitada pelos cipriotas turcos de religião muçulmana (perto de 300 mil habitantes) e apoiada pela Turquia a nível militar, económico, demográfico e diplomático.

Lusa

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