Europeias 2019

Os protagonistas, as (poucas) surpresas e uma abstenção histórica

Inácio Rosa

Os números, as reações e os efeitos, cá e na Europa. Está aqui tudo o que precisa de saber sobre as eleições europeias de 2019.

Mais que partidos e resultados, a grande protagonista da noite eleitoral foi, em Portugal, a abstenção. 68,59% dos eleitores não foram votar - um valor recorde no país. Falamos de mais de 7,2 milhões de pessoas.

(SIC)

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O tema marcou o dia eleitoral e foi também o foco dos artigos de opinião de Ricardo Costa e Pedro Cruz.

Ainda assim, o número de votantes foi superior em cerca de 30 mil, em relação a 2014.

PS, BE e PAN vitoriosos. PSD, CDS e CDU com noites para esquecer

No que aos resultados diz respeito, o PS foi o (primeiro) grande vencedor da noite. Ganhou as eleições europeias com 33,38% dos votos. Elege, para já, 6 eurodeputados (faltam somar os votos dos emigrantes portugueses, que deverão ser conhecidos durante a tarde desta segunda-feira).

Em contraste, o PSD ficou-se pelos 21,94%, o pior resultado de sempre dos sociais-democratas em atos eleitorais de âmbito nacional.

A fechar o pódio, o Bloco de Esquerda, que não só reelegeu Marisa Matias como vai levar também José Gusmão para Bruxelas. Conseguiu 9,82% dos votos.

A CDU caiu em relação a 2014. Ficou-se pelos 6,88% e pode ter perdido dois dos três eurodeputados que tinha - segurou-se (para já) João Ferreira.

Outra das grandes derrotas da noite pertence ao CDS, que obteve o pior resultado de sempre em eleições europeias. O partido de Assunção Cristas conquistou apenas 6,19% mas manteve Nuno Melo no Parlamento Europeu.

Com um resultado semelhante mas com um peso diferente na balança, a surpresa eleitoral coube ao PAN, que alcançou 5,08% dos votos e elegeu um eurodeputado pela primeira vez.

Fechadas as vagas portuguesas no Parlamento Europeu, foram 11 os partidos que não conseguiram eleger qualquer eurodeputado. Primeiro o Aliança (1,86%), seguido do Livre (1,83%), da coligação Basta (1,49%), do Nós, Cidadãos! (1,04%), do Iniciativa Liberal (0,88%), do PCTP/MRPP (0,82%), do PNR (0,49%), do PDR (0,48%), do PURP (0,41%), do PTP (0,26%) e do MAS (0,2%).

ESQUERDA DE CONTRASTES, DIREITA EM QUEDA ABRUPTA

Vamos às reações. O secretário-geral do PS, António Costa, agradeceu aos portugueses que decidiram votar nos socialistas de forma tão "expressiva, clara e inequívoca" e elogiou Pedro Marques.

Por sua vez, o cabeça de lista dos socialistas destacou a diferença percentual em relação ao PSD e fala num "farol de esperança".

Do lado social-democrata, Rui Rio não atira a toalha ao chão mas assume que o partido "não atingiu os objetivos pretendidos":

Já Paulo Rangel felicitou o PS e assumiu a derrota, apesar de considerar que o partido fez uma campanha "motivadora".

No seio do Bloco de Esquerda, o clima era de natural satisfação. A coordenadora do partido, Catarina Martins, garante que cada voto no BE não foi em vão.

No que toca à CDU, que pode perder um a dois eurodeputados, Jerónimo de Sousa afirmou que o resultado foi negativo, não só para o partido mas para o país.

No rescaldo dos resultados, o secretário-geral do PCP assumiu que a coligação sai fragilizada e acusa a comunicação social de promover "campanhas difamatórias" que "menorizaram" a CDU.

Já o CDS realçou a elevada abstenção e a presidente deixou uma garantia: o partido compreendeu o sinal dado pelos eleitores.

Por fim, o PAN, outro dos grandes vencedores da noite. O líder André Silva diz que o partido está consolidado no sistema político português e assegura: o "PAN não é moda".

O Presidente da República também destacou a elevada abstenção. Marcelo Rebelo de Sousa revelou, ainda assim, que estava à espera de uma afluência às urnas ainda menor.

Fim do bipartidarismo em Bruxelas marca eleições na UE

No panorama europeu, a participação eleitoral, em contraste com Portugal, foi a mais alta dos últimos 20 anos, com uma taxa média de 50,5% de votantes nos 28 Estados-membros.

Aqui ao lado, os socialistas também cantaram vitória. O PSOE, do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, venceu com 33% dos votos, mais 10% que em 2014.

Susana Vera

O Vox, da extrema-direita, acabou por ficar aquém do esperado, alcançando apenas 10%.

Mas se em Espanha esse vértice político foi pouco expressivo, o mesmo não se pode dizer de França. Aí, a vitória sorriu à Aliança Nacional de Marine Le Pen, que não demorou em exigir ao Presidente Emmanuel Macron que dissolva o Parlamento

De uma forma geral, os movimentos nacionalistas e de extrema-direita aumentaram a representação no Parlamento Europeu, mas não tanto como se esperava.

Mas como fica o Parlamento Europeu? Mais "verde", essa é uma garantia. Os partidos ecologistas elegeram eurodeputados na Alemanha, Holanda, Áustria, França, Bélgica, Irlanda, Finlândia e Portugal.

As próximas eleições europeias realizam-se em 2024.