Europeias 2019

PSOE é o mais votado em Espanha mas terá de chegar a acordos difíceis

JuanJo Martin / EPA

Partido socialista no poder foi o mais votado nas eleições europeias, regionais e municipais que decorreram no domingo.

O Partido Socialista espanhol (PSOE) foi o partido mais votado nas eleições europeias, regionais e municipais de domingo em Espanha, consolidando a sua posição, mas sem maiorias absolutas vai ter de chegar acordos difíceis.

Nas europeias, os socialistas chegam quase a 33% dos votos, mais 10 pontos percentuais do que nas eleições de 2014, e mais quatro do que nas eleições legislativas de abril passado.

O primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, aparece como a grande esperança dos socialistas e sociais-democratas europeus e pretende aproveitar-se do sucesso para ter um papel mais importante na União Europeia.

"O essencial é que os três partidos [PSOE, PP e Cidadãos] que ficaram à frente nas europeias são claramente europeístas e isso contrasta com o que está a acontecer na Europa", disse à agência Lusa o professor de Meios de Comunicação e Política Carlos Barrera.

A nível nacional, Sánchez também sai reforçado no seu projeto de tentar formar um Governo minoritário com apoios variados à esquerda e entre vários partidos de âmbito regional.

O seu maior parceiro eventual, o Unidas Podemos (extrema-esquerda) é o grande derrotado das várias eleições, com 10% dos votos, tendo o líder desta formação, Pablo Iglesias, faltado à habitual conferência de imprensa na noite eleitoral para assumir os resultados.

"Pedro Sánchez sai reforçado, mas continua com o mesmo número de deputados no parlamento nacional e um cenário mais complexo, visto que o seu parceiro preferido é o grande derrotado", resume à agência Lusa o professor de Comunicação Política na Universidade de Navarra Jordi Rodríguez Virgili.

Para este catedrático, "a situação continua complicada de resolver" e não está posta de lado a possibilidade de o PSOE se entender com o Cidadãos (direita liberal), apesar de este partido ter afirmado que nunca apoiaria um governo socialista com Sánchez e ter decidido lutar pela liderança da direita espanhola.

A grande derrota do PSOE, e da esquerda em geral, deu-se em Madrid, onde a direita, liderada pelo PP (Partido Popular, direita) conseguiu renovar a liderança que tinha na comunidade autónoma e ganhar à esquerda a presidência da câmara municipal mais importante do país.

O resultado em Madrid afasta algumas dúvidas e dá um "balão de oxigénio" à liderança de Pablo Casado no PP, que estava a ser posta em causa com o mau resultado que teve nas legislativas de 28 de abril.

O PP teve nas europeias cerca de 20% dos votos, menos seis pontos percentuais do que nas europeias de 2014, mas consegue recuperar mais de três pontos em relação às legislativas do mês passado.

Casado consegue inverter a tendência negativa e evita ser ultrapassado pelo Cidadãos, que obteve 12% dos votos, uma subida de nove pontos percentuais em relação às últimas europeias, mas uma diminuição de quase quatro pontos em relação às legislativas.

"É certo que houve uma espécie de ressurgimento do PSOE e do PP, os dois partidos que tradicionalmente dominavam a política espanhola" e que durante dezenas de anos se intercalavam na condução do Governo nacional, afirmou Carlos Barrera.

Por seu lado, José Maria Peredo Pombo, professor de Comunicação Política Internacional na Universidade Europeia, não está convencido de que o país esteja a regressar a um sistema bipartidário, preferindo falar num sistema muito fragmentado com três partidos centrais: PSOE, PP e Cidadãos.

O Vox (extrema-direita), que foi a grande surpresa das legislativas de 28 de abril, quando emergiu no parlamento com mais de 10% dos votos, baixou agora, nas europeias, para pouco mais de 6%, um resultado que mesmo assim contrasta com os 1,5% das europeias de 2014.

"Vamos ter umas semanas e meses de conversações intensas para se tentar formar executivos a vários níveis. Temos um sistema muito fragmentado e os políticos vão ter de mostrar que sabem negociar e pensar no bem comum", concluiu Jordi Rodríguez.

Carles Puigdemont, um independentista catalão fugido na Bélgica e procurado pela polícia em Espanha, e Oriol Junqueras, outro independentista preso e a ser julgado pelo alegado delito de rebelião, foram eleitos como deputados europeus.

Lusa

  • "O hospital não interna doentes em refeitórios"
    7:14