Eleições nos EUA

Trump perde popularidade junto das Forças Armadas

Carlos Barria

E um veterano ex-apoiante do republicano está a fazer campanha por Joe Biden.

A popularidade de Donald Trump junto dos generais das Forças Armadas caiu ao longo do mandato do Presidente dos EUA, apesar do esforço da Casa Branca para se aproximar das expectativas dos militares.

Tradicionalmente, os presidentes republicanos são mais do agrado das elites militares norte-americanas, acusadas pelos democratas de preferirem governos que sejam mais belicosos e apoiem mais negócios de compra e venda de armas.

Contudo, Trump parece ser uma exceção, tendo começado o seu mandato com um nível de popularidade de 46%, junto dos elementos das forças armadas, mas estando agora a terminá-lo com uma queda que o leva para apenas 38% de aprovação, de acordo com sondagens da revista Military Times.

O Presidente atribui alguns dos atritos com as Forças Armadas ao facto de não ter agradado a muito generais, ao defender a retirada de forças militares norte-americanas de vários teatros de guerra espalhados pelo mundo, como a Síria ou o Afeganistão.

"As pessoas no topo do Pentágono não gostam muito de mim, porque tudo o que eles querem fazer é lutar em guerras, para que essas maravilhosas empresas que fazem bombas e fazem aviões, e tudo o resto, estejam felizes", denunciou Trump, perante um grupo de jornalistas, no final de 2019.

"Eu não digo que os militares estão apaixonados por mim. Os soldados estão", disse Trump, já em 2020, quando foi criticado por ter desvalorizado o papel das Forças Armadas, deixando mais uma farpa para o topo da hierarquia militar.

Este verão, a revista Atlantic ressuscitou um tema que tinha causado embaraço à Casa Branca em 2018, quando Trump se recusou a participar num evento em memória dos soldados norte-americanos mortos em combate durante o desembarque da Normandia, em 1944, alegando as más condições atmosféricas para se deslocar de helicóptero desde Paris até essa praia francesa.

Segundo o relato da revista, confrontado com a sua ausência no evento, Trump ter-se-ia referido aos soldados caídos durante a Segunda Guerra Mundial como "falhados".

A Casa Branca desmentiu esta versão e Trump apressou-se a dizer que tem "grande estima" pelos militares e pela ação que desempenham "na segurança interna e externa", mas a polémica já tinha estalado e, nas redes sociais e em artigos em prestigiados jornais e revistas, muitos militares na reserva exprimiram o desconforto com a forma como o Presidente se tinha referido aos soldados mortos em combate.

Donald Trump aproveitou a ocasião para reforçar o seu apreço pelos soldados, mas mantendo distanciamento relativamente às mais altas patentes.

Veterano ex-apoiante de Trump está a fazer campanha por Joe Biden

O veterano de guerra David Weissman, que votou no Presidente Donald Trump em 2016, mudou a sua afiliação partidária para o Partido Democrata e está a fazer campanha em Palm Bay, Florida, para eleger Joe Biden.

"Pensava que Trump falava pelos veteranos. Era como se ele soubesse o que os veteranos queriam", disse à Lusa o ex-militar, de 40 anos, que serviu duas vezes no Afeganistão. "Depois descobri a verdade sobre ele, sobre a corrupção, os laços com a Rússia, um homem de negócios falhado, coisas tão más", afirmou.

"Quando votei no Trump, pensei que era uma pessoa como deve ser. Não era perfeito, ninguém é, mas nunca me apercebi de quão mau ele era", disse Weissman.

O ex-militar acabou por se afastar da base de apoio do Presidente e passou para o lado oposto, estando agora a fazer campanha por Joe Biden na Florida, onde reside, e que é um dos Estados considerados decisivos na eleição de 03 de novembro.

"Pode-se fazer muito nas redes sociais, mas é preciso sair e fazer campanha nas ruas, ser ativo", afirmou David Weissman, explicando que se inscreveu para ser um 'poll greeter' (alguém que está à porta das mesas de voto a falar com os eleitores) pelos democratas no seu condado de residência, Brevard.

"Vou estar a passar informação aos eleitores sobre os candidatos democratas, não apenas Joe Biden, mas também os outros nas eleições locais na Florida", descreveu.

"Esses lugares são tão importantes quanto a presidência", acrescentou.

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