Eleições nos EUA

Eleições nos EUA. Representantes de comunidades negra e LGBT fazem história no país

Lawrence Bryant

Democrata Cori Bush vai ser a primeira ativista do movimento "Black Lives Mater" a chegar ao Congresso federal.

A democrata Cori Bush vai tornar-se a primeira ativista do movimento "Black Lives Mater" a chegar ao Congresso federal, após um ano marcado por protestos liderados pelo grupo contra o racismo e a brutalidade policial.

O movimento "Black Lives Mater" ("As vidas dos Negros Importam") ganhou força e reconhecimento sobretudo nas manifestações depois da morte de George Floyd, um afro-americano assassinado por um polícia branco.

O movimento organiza regularmente protestos contra a morte de negros causada por polícias e questões mais amplas de discriminação racial, como brutalidade policial e a desigualdade racial no sistema de justiça criminal dos Estados Unidos.

Enfermeira de 44 anos, Corri Bush também fez história como a primeira mulher negra a representar o estado do Missouri no Congresso, e faz parte da ala esquerda do Partido Democrata, como membro da chamada "Brigada", à qual também pertence Alexandria Ocasio-Cortez.

As duas vencedoras fizeram parte de um recorde de 318 mulheres que disputaram este ano assentos na Câmara dos Representantes ou no Senado federal, das quais 117 eram mulheres não brancas.

Em Nova Iorque, o democrata Ritchie Torres fez igualmente história ao ser eleito o primeiro negro, latino e membro assumidamente 'gay' do Congresso; um marco que dedicou à sua comunidade no Bronx.

"O Bronx é a minha casa, o sítio que me fez ser quem eu sou e é por isso que lutarei no Congresso. Agradeço do fundo do coração aos eleitores a confiança que depositaram em mim", disse Torres.

Outro candidato democrata do mesmo estado, Mondaire Jones, poderá partilhar o feito histórico de ser dos primeiros congressistas negros assumidamente 'gays', mas aguarda o fim da recontagem no seu estado, que mostrou uma disputa muito acirrada com a candidata republicana Maureen McArdle Shulman.

No Texas, a vitória do republicano Ronny Jackson, que conquistou um assento na Câmara dos Representantes, chamou a atenção, já que o político foi o médico oficial de Trump na Casa Branca no início do seu mandato.

As afirmações de Jackson de que Trump tinha "genes incrivelmente bons" criaram uma onda de troça na internet, mas pareceram reforçar a sua relação com o Presidente, que mais tarde o nomeou secretário dos Veteranos.

A noite eleitoral também está a ser um momento histórico ara outros movimentos, já que também significou a eleição de Taylor Greene, defensora do QAnon, um movimento de extrema-direita que defende a ideia de que Donald Trump está a travar uma guerra secreta contra uma seita mundial de pedófilos satanistas.

Taylor Greene, que foi criticada por publicar vídeos em que parece argumentar que os muçulmanos não devem poder trabalhar no Governo dos Estados Unidos e compara o movimento "Black Lives Mater" ao grupo supremacista branco Ku Klux Klan, vai representar bastião republicano no estado da Geórgia na Câmara dos Representantes.

Outra das novidades da noite é a eleição, por Delaware, de Sarah Mcbride, a primeira senadora estadual abertamente transgénero na história do país.

McBride, que atuará no Senado daquele estado na costa leste dos Estados Unidos e não no Congresso, será o funcionário transgénero de mais alta patente no país.

"Conseguimos, vencemos as eleições. Espero que esta noite mostre a uma criança LGBTQ que a nossa democracia também é suficientemente grande para ela", disse, em comunicado, a nova senadora democrata, que venceu a sua rival republicana por uma larga margem.

Além de eleger o Presidente, os norte-americanos elegeram na terça-feira os 435 membros da Câmara dos Representantes e renovaram um terço dos 100 assento do Senado, bem como vários governadores e legisladores de nível estadual.

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