Eleições nos EUA

Mahmoud Abbas apela a Biden para reforçar laços com palestinianos

Mohamad Torokman

Movimento islamita palestino Hamas pediu ao Presidente eleito dos Estados Unidos para "corrigir as políticas injustas" contra a Palestina.

O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, felicitou este domingo Joe Biden pela vitória nas presidenciais dos EUA e apelou para que reforce as relações palestino-americanas, depois de Donald Trump ter tido uma política a favor de Israel.

"O presidente Abbas espera trabalhar com o presidente eleito Joe Biden e com a sua administração para reforçar as relações, a fim de garantir a liberdade, independência, justiça e dignidade do povo palestiniano", refere a Autoridade Palestiniana em comunicado.

Durante o seu mandato, o presidente cessante dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou uma política muito pró-Israel, que levou a Autoridade Palestiniana a cortar relações com Washington.

Na administração Trump, os Estados Unidos reconheceram Jerusalém como capital de Israel, decidiram que colonatos israelitas na Cisjordânia, território palestiniano ocupado, não violavam a lei internacional, encerraram o consulado em Jerusalém Oriental e suspenderam a contribuição americana para a agência das Nações Unidas que apoia refugiados palestinianos.

O plano de Donald Trump para o Médio Oriente incluía a anexação de partes da Cisjordânia por Israel e a criação de um Estado palestiniano numa pequena área do território.

No sábado, o movimento islamita palestino Hamas pediu ao Presidente eleito dos Estados Unidos para "corrigir as políticas injustas" norte-americanas contra a Palestina e apelou à anulação do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

A Jihad Islâmica Palestiniana (JIP), outro grupo islamita com forte presença em Gaza, declarou não ter expectativas face as alterações políticas nos Estados Unidos, devido às "amargas experiências" sofridas pelos palestinianos com as anteriores administrações norte-americanas.

Em Jerusalém, manifestantes que se encontram há várias semanas diante da residência do primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyahu, saudaram efusivamente a notícia da vitória de Biden, bem como a derrota de Trump.

O jornal israelita Haaretz recordou, num artigo publicado hoje, que Biden é presença regular em conferências e angariações de fundos organizadas pelo lobby americano pró-Israel AIPAC (American Israel Public Affairs Committee) e que apoia uma solução de dois estados, vendo os colonatos israelitas como o maior obstáculo para tal ser alcançado.