Presidenciais

Ana Gomes candidata à Presidência da República. É "inaceitável a desvalorização" da eleição pelo PS

JOSÉ SENA GOULÃO

"Não compreendo nem aceito a desvalorização de um ato tão significante como as eleições presidenciais".

Ana Gomes apresentou esta quinta-feira a candidatura à Presidência da República, com criticas ao Partido Socialista. Diz ter esperado meses para que o PS tivesse um candidato próprio e que não compreende nem aceita a desvalorização das eleições presidenciais.

A ex-eurodeputado socialista Ana Gomes afirmou que não podia "desertar" do combate das próximas eleições presidenciais face à situação do país e considerou "inaceitável a desvalorização" deste ato eleitoral pelo PS.

Na declaração em que anunciou a sua entrada na corrida a Belém, na Casa de Imprensa, em Lisboa, Ana Gomes prometeu colaborar com os governos, ser dialogante, mas também combater os interesses instalados em nome da transparecia.

Numa conferência de imprensa em que optou por não surgir rodeada de apoiantes, Ana Gomes disse que, "durante meses e meses", esperou que o seu partido apresentasse um candidato próprio, saído das suas fileiras ou da sua área política, mas isso não aconteceu.

"Não compreendo nem aceito a desvalorização de um ato tão significante como as eleições presidenciais. O Presidente da República não é eleito para governar, mas a Constituição atribui-lhe um papel vital no equilíbrio do sistema político e partidário. Cabe-lhe defender a Constituição", declarou.

A seguir, a ex-eurodeputada do PS deixou duas perguntas dirigidas à direção do seu partido: "Como pode o socialismo democrático não participar nesta eleição? Como pode dispensar-se de estar genuinamente representado numa competição democrática para o mais alto cargo da nação?".

"Ainda para mais quando vivemos tempos estranhos, de grave crise económica desencadeada pela crise sanitária com impacto global. Tempos que anunciam desemprego, tensões sociais e políticas, mais desigualdades, mais insegurança", apontou.

Neste contexto, Ana Gomes salientou que a sua candidatura representará "o campo do socialismo democrático, progressista".

"Tenho uma história de empenhamento cívico e político, pessoal e profissionalmente nos planos nacional, europeu e internacional que me qualificam para o representar. Tenho abertura e capacidade para dialogar e quero ouvir todos os quadrantes democráticos", alegou.

A ex-eurodeputada socialista atacou depois as correntes de extrema-direita.

"Sabemos que forças antidemocráticas espreitam oportunisticamente por desígnios autoritários que só podem trazer repressão e violência, como a História ensina. Não é possível também ignorarmos que uma parte do sistema, vertido nas próprias instituições da República, se deixou corroer, capturado por interesses financeiros, económicos ou outros - que não representam ou servem o interesse público geral", acrescentou.

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