Presidenciais

Marcelo vs. Ventura. O debate na íntegra

José Fernandes

O Presidente da República e recandidato ao cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, demarca-se da "direita do medo" a que acusa André Ventura de pertencer. O líder do Chega critica Marcelo por "apaparicar e elogiar o Governo".

Os tópicos principais de um debate aceso do início ao fim com os candidatos Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura a deixarem bem assente as diferenças entre ambos.

O Chega e a democracia: a resposta de Marcelo

Questionado sobre se aceita e tolera um partido como o Chega, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que os eleitores escolhem os partidos, e disse que o líder de qualquer partido legalizado é aceite pela democracia.

"Não há ameaça relativamente a deputados de partidos eleitos pelo povo", afirmou Marcelo

José Fernandes

"Portugueses valorizam em mim a capacidade de fazer uma rutura"

André Ventura defendeu que o regime precisa de uma limpeza. O líder do Chega mostrou-se desapontado com a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, por não ter reconduzido a procuradora e o Presidente do Tribunal de Contas.

O líder do Chega referiu que os portugueses o valorizam "pela capacidade de fazer uma rutura".

"Representamos direitas diferentes, eu sou de uma direita social"

Marcelo assumiu desde o início que ambos os candidatos são de direitas diferentes.

"Há uma diferença entre nós, representamos direitas diferentes. Eu represento uma direita social, que tem posições do ponto de vista social que é diferente de uma direita do medo", afirmou.

Avisou ainda que um candidato presidencial deve ser um integrador da sociedade.

José Fernandes

Ventura acusou Marcelo de se refugiar no papel formal

Sobre mandatos, o líder do Chega considerou que Joana Marques Vidal estava a fazer um "trabalho extraordinário", lembrando que teve coragem de prender um ex-primeiro-ministro, José Sócrates.

Durante o debate, André Ventura considerou que o atual Presidente da República se refugia no seu papel formal para defender um mandato único.

"Isso é o contrário do que é ser um candidato presidencial"

Durante o debate desta quarta-feira, André Ventura mostrou uma fotografia de Marcelo com populares no bairro da Jamaica. Marcelo atacou de imediato Ventura afirmando: "Isso é o contrário do que é ser um candidato presidencial".

"Essa distinção diz tudo sobre si", atirou Marcelo quando Ventura o acusou de não defender os portugueses, referindo-se aos agentes da polícia do bairro da Jamaica.

"Nunca vou ser presidente dos pedófilos e dos traficantes de droga", contra-atacou Ventura.

José Fernandes

"Eu sou o Presidente de todos os portugueses"

Marcelo respondeu às declarações proferidas na terça-feira por André Ventura, de que não será o Presidente de todos os portugueses.

Continuou dizendo que não defende a prisão perpétua, assim como não defendiam o Papa João Paulo II e Sá Carneiro, duas referências de André Ventura.

O confronto das direitas

"Será que alguém à direita pode, em consciência, votar em Marcelo Rebelo de Sousa?", atirou Ventura, argumentando que Marcelo está colado ao Governo, fazendo referência a um momento em que o Presidente da República disse que Centeno ficaria para a história.

Em resposta, Marcelo Rebelo de Sousa lembra que um Presidente deve ser independente, tal como o próprio se considera, dando como exemplo as coligações a quem já deu posse, uma da esquerda em Portugal e uma da direita nos Açores.

"Dá-lhe jeito quando a maioria de direita é respeitada pelo Presidente, mas não lhe dá jeito quando a maioria de esquerda é respeitada pelo Presidente", atira Marcelo.

Os incêndios

Foi quando André Ventura mostrou a fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa com Manuel Nascimento, que perdeu tudo no incêndio em Pedrógão e que não viu a sua casa reconstruída antes de morrer, que o debate subiu de tom.

Marcelo alega que esteve sempre em contacto com a família de Manuel e garante que a sua casa já foi reconstruída, considerando esta acusação de Ventura injusta e de "pura demagogia barata".

LUSA

Estado de emergência

Marcelo Rebelo de Sousa recusa a banalização do estado de emergência, fazendo referência aos 10 mil novos casos registados nas últimas 24 horas em Portugal. Admite que seria bom existir uma Lei de Emergência Sanitária, como tem sugerido a candidata Ana Gomes, mas considera que não é em plena pandemia que se vai formular e aprovar uma lei.

Ventura usou um trunfo que já tinha usado em debates anteriores, que não surtiu grande efeito sobre Marcelo. O candidato do Chega voltou a falar sobre a saída de reclusos de prisões na altura do primeiro estado de emergência, mas o Presidente da República assume, sem qualquer problema, a libertação dos presos.

"Era um problema de saúde pública", reiterou Marcelo.

Debate aceso

Um dos momentos mais marcantes do debate foi quando Marcelo disse a Ventura que não admitia que o deputado do Chega lhe estivesse a dizer coisas que nunca lhe tinha dito nas sessões em Belém. Ventura voltou a criticar o mandato de Marcelo, que diz desagradar aos portugueses.

"Veremos o que os portugueses dizem dia 24", respondeu Marcelo de imediato.

Regime Presidencialista

Já na reta final do debate, André Ventura defendeu o regime presidencialista, onde o Chefe de Governo é também o Chefe do Estado, sobre a ideia de reunir os poderes num homem só.

Marcelo discorda do líder do Chega, apontando que o presidencialismo em Portugal "conduziria à ditadura."

Debate na íntegra

Os próximos debates transmitidos pela SIC e SIC Notícias serão Marisa Matias - André Ventura (amanhã às 21:00 na SIC); e Marisa Matias - Tiago Mayan (sábado às 22:00 na SIC Notícias).