Presidenciais

Vitorino Silva acusa Costa de "brincar com quem trabalha" pela forma como anunciou o novo confinamento

PEDRO PINA

O candidato à presidência da República considerou "que foi uma falta de respeito" a forma como as medidas foram decididas e anunciadas.

O candidato à presidência da República Vitorino Silva acusou hoje o primeiro-ministro, António Costa, de "brincar com quem trabalha" devido à forma como anunciou o novo confinamento.

O primeiro-ministro anunciou, na quarta-feira, um novo confinamento geral que entrará em vigor a partir das 00:00 de sexta-feira, mas as notícias dos dias anteriores davam conta de que o país fecharia já este quinta-feira.

"O António Costa andou a brincar com quem trabalha. Fiquei muito triste quando muita gente que tinha restaurantes, influenciada pela comunicação social a dizer que o país ia fechar (hoje), não compraram nada para ter hoje nas mesas", afirmou.

O candidato presidencial falava num restaurante em Foz Tua, em Trás-os-Montes, onde almoçou para mostrar as dificuldades deste setor e do turismo em geral e o que considerou as contrações do anunciado confinamento.

"O confinamento quando for, vamos todos, não ir às pinguinhas, é claro que as pessoas estão a morrer, vou fazer tudo por tudo para que as pessoas não morram, mas também que não morra a economia", sustentou.

Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans, considerou "que foi uma falta de respeito" a forma como estas medidas foram decididas e anunciadas.

"Portugal é um país laico, não pode haver portugueses de primeira e portugueses de segunda. Se eu posso ir a uma igreja e não posso ir ao lado que haja um espetáculo de teatro, o que é que a igreja tem a mais a ver que a cultura", questionou, em relação à decisão de cancelar eventos culturais e permissão de eventos religiosos.

"Porque é que têm medo da cultura, calando a cultura calam a democracia, não concordo. Eu sou a favor deste confinamento, mas para todos", insistiu.

O candidato dedicou o dia de hoje aquilo que considera "a essência" e que é "o trabalho", destacando o turismo, uma das principais atividades da zona que escolheu, Foz Tua, como a estação da linha do Douro.

"Quero uma vacina que cure a covid, mas que ao mesmo tempo cure a economia", acrescentou.

Vitorino Silva viajou de comboio de Paredes até ao Tua onde trata as pessoas e é tratado por "tu", pois por ali andou, e em todo Trás-os-Montes, "há trinta e tal anos", a calcetar muitas aldeias da região.

Nessa época, havia escolas, correios, tribunal, "havia pessoas" e atualmente "isto vai ficar sem gente", observou.

"Quero vir aqui para dizer que o interior tem de contar sempre, não é em tempo de eleições", afirmou o candidato que não quer "um país inclinado, um Portugal em que só os da linha da frente vejam o mar".

"Quem dá subsídios, não dá para os regionais porque são poucos os habitantes que tem o interior, daqui a pouco até nem há o jornalista da terra, a rádio da terra", enfatizou.

As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral decorre entre 10 e 22 de janeiro, com o país a viver sob medidas restritivas devido à epidemia.

Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).