Presidenciais

As Olimpíadas de Marcelo

Opinião

RODRIGO ANTUNES

Questionado sobre que imagem gostaria que os portugueses guardassem dele daqui a cinco anos, Marcelo estabeleceu uma fasquia só aparentemente modesta.

Esta terça-feira, enquanto descia a pé da Estrela para a Assembleia da República, a caminho da sua segunda tomada de posse como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa confessou que não sentia o nervoso miudinho de 2016. E explicou porquê: já sabia que o cargo era "muito mais pesado" do que aquele que antecipara ao fazer aquele mesmo percurso, exatos cinco anos antes.

Na véspera, questionado pelo jornalista da SIC José Manuel Mestre - que o acompanhou em reportagem, da manhã à noite, no último dia do primeiro mandato - sobre que imagem gostaria que os portugueses guardassem dele daqui a cinco anos, estabeleceu uma fasquia só aparentemente modesta:

"Uma imagem parecida com a que deixei aos meus alunos [da Faculdade de Direito de Lisboa], a de que eu tinha feito o melhor que era possível".

A questão é se “o melhor possível” chega para Marcelo fechar a porta de Belém, a 9 de março de 2026, com o dever cumprido de deixar o país no elevado patamar em que fez questão de o colocar no discurso da posse, onde repetidas vezes falou em “mais” e “melhor”, numa espécie de “Citius, Altius, Fortius” como lema para este segundo mandato presidencial.

MARIO CRUZ

Reconstruir o país depois da pandemia "é mais, muito mais, do que regressar a 2019 ou a fevereiro de 2020", afirmou o Presidente, que também quer "melhor democracia", "mais crescimento", "mais solidariedade" e, falando pelos jovens que "esperam mais e mais depressa", um Portugal "mais justo, mais competitivo, mais inter-geracional", com "mais e melhor Serviço Nacional de Saúde, mais e melhores condições às empresas, mais e melhor liderança na luta pela ação climática".

Se é certo que a concretização de tanta ambição não está apenas (ou nem sobretudo) nas suas mãos, também é inquestionável que o Presidente faz questão de se manter como um dos sujeitos de todos os predicados que vão contar a história dos próximos cinco anos. "Os segundos mandatos são sempre mais difíceis do que os primeiros", antecipou Marcelo, ainda na conversa com os jornalistas a caminho do Parlamento. Por enquanto, só pode queixar-se de si próprio.