Football Leaks

A "travessia do deserto" terminou mas a "luta continua". Rui Pinto regressa ao Twitter

RODRIGO ANTUNES

Publicação surge depois de Margarida Alves, presidente do coletivo de juízes que vai julgar Rui Pinto, ordenar a libertação do arguido.

Rui Pinto assumiu esta terça-feira que a "árdua e longa travessia do deserto" chegou ao fim, aludindo à libertação, mas avisou que "a luta continua", pois Portugal "continua um paraíso para a grande corrupção" e branqueamento de capitais.

"Um bem-haja a todos aqueles que desde a primeira hora demonstraram o seu apoio e solidariedade. Finalmente esta árdua e longa 'travessia do deserto' chegou ao fim. Mas a luta continua, porque volvidos quase dois anos, Portugal continua um paraíso para a grande corrupção e para o branqueamento de capitais. É agora mais do que nunca, que precisamos de união e resiliência. Portugal tem de mudar", escreveu o criador da plataforma Football Leaks na sua conta oficial do Twitter.

A publicação surge depois de, na sexta-feira, Margarida Alves, presidente do coletivo de juízes que vai julgar Rui Pinto, ordenar a libertação do arguido que, entre sábado e domingo, abandonou as instalações da Polícia Judiciária, e, por razões de segurança, ficou inserido no programa de proteção de testemunhas, em residência com vigilância policial.

Ministério Público opôs-se à libertação de Rui Pinto

O Ministério Público (MP) opôs-se à libertação de Rui Pinto, que foi justificada pela juíza Margarida Alves com a "contínua e consistente colaboração" com a Polícia Judiciária e o "sentido crítico" do criador da plataforma Football Leaks.

A procuradora Marta Viegas, que será a magistrada do Ministério Público presente no julgamento de Rui Pinto, com início agendado para 4 de setembro, no Campus da Justiça, em Lisboa, pronunciou-se contra a libertação, requerida pela defesa do arguido, pugnando pela "manutenção" da medida de coação de permanência na habitação, com proibição de aceder à Internet e a dispositivos que o permitam.

A presidente do coletivo de juízes, que vai julgar Rui Pinto por 90 crimes, diz que o comportamento demonstrado nos últimos meses "evidencia não existir qualquer uma das circunstâncias" do artigo 204º do Código de Processo Penal (perigo de fuga, perigo para a conservação ou veracidade da prova, perigo de continuação da atividade criminosa ou perturbação grave da ordem e tranquilidade públicas), que estiveram na base da aplicação das medidas de coação privativas da liberdade a que Rui Pinto esteve sujeito.

O arguido, que estava desde 8 de abril deste ano em prisão domiciliária e proibido de aceder à Internet, saiu em liberdade, mas "sujeito à medida de obrigação de apresentações periódicas semanais junto de autoridade policial".

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