Queda do BES

Como passou Ricardo Salgado de dono disto tudo a suspeito disto tudo?

Para além do processo que investiga o Grupo Espírito Santo, o ex-banqueiro está acusado na Operação Marques e é arguido no Monte Branco e no caso EDP.

A acusação no processo que investiga o colapso do Universo Espírito Santo é a mais recente acusação de um longo caminho que o antigo banqueiro tem de percorrer na justiça.

O ex-banqueiro enfrenta quatro processos e ainda seis contraordenações do Banco de Portugal e da CMVM.

Ricardo Salgado é, há 6 anos, arguido no processo Monte Branco, que investiga suspeitas de branqueamento de capitais e fraude fiscal. É também arguido no processo dos CMEC, as alegadas rendas excessivas pagas à EDP. E ainda acusado de ser corruptor ativo de Sócrates, na Operação Marquês.

As contas com a Justiça começaram em 2014. Mas como passou, Ricardo Salgado, de Dono Disto Tudo a Suspeito Disto Tudo?

O percurso de Ricardo Salgado

Ricardo Salgado liderou o Grupo Espírito Santo durante 22 anos. Foi com ele que o império se reergueu depois das nacionalizações do pós-25 de Abril, mas também foi com ele que acabaria por se afundar.

Os amigos mais próximos dizem que ficou sozinho e isolado, o que lhe deu tempo para escrever um livro de memórias, polémico, que deverá ser publicado em breve.

Esta terça-feira, o Ministério Público acusou 18 pessoas e sete empresas por vários crimes económico-financeiros e algumas das quais por associação criminosa, no âmbito do processo principal do designado "Universo Espírito Santo", em que a figura central é o ex-banqueiro Ricardo Salgado.

Queda do GES: 25 arguidos acusados pelo Ministério Público

A acusação do Ministério Público (MP) sobre a queda do Grupo Espírito Santo foi conhecida esta terça-feira.

"O Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal deduziu acusação contra 25 arguidos, 18 pessoas singulares e 7 pessoas coletivas, nacionais e estrangeiras, no âmbito do processo principal do designado “Universo Espírito Santo”, lê-se na nota do MP.

Além do ex-presidente do banco Ricardo Salgado foram ainda acusados José Manuel Espírito Santo; Manuel Fernando Espírito Santo; Amílcar Morais Pires - ex-braço direito do antigo banqueiro; Isabel Almeida, antiga administradora financeira do banco; Francisco Machado da Cruz, antigo contabilista do GES; António Soares, Paulo Ferreira, Pedro Costa, Cláudia Faria, Pedro Serra, Nuno Escudeiro, Pedro Pinto, Alexandre Cadosch, Michel Creton, João Martins Pereira, João Alexandre Silva e Paulo Jorge.

O comunicado termina com a indicação de que a "(...) investigação levada a cabo (...) apurou um valor superior a onze mil e oitocentos milhões de euros, em consequência dos factos indiciados, valor que integra o produto de crimes e prejuízos com eles relacionados."

RICARDO SALGADO ACUSADO DE 65 CRIMES INCLUINDO ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA

O ex-presidente do Banco Espírito Santo foi acusado de 65 crimes, incluindo associação criminosa, corrupção ativa no setor privado, burla qualificada, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Ricardo Salgado foi acusado de um crime de associação criminosa, em coautoria com outros 11 arguidos, incluindo os antigos administradores do BES Amílcar Pires e Isabel Almeida. Está também acusado da autoria de 12 crimes de corrupção ativa no setor privado e de 29 crimes de burla qualificada, em coautoria com outros arguidos, entre os quais José Manuel Espírito Santo e Francisco Machado da Cruz.

O Ministério Público acusou ainda o ex-líder do BES de infidelidade, manipulação de mercado, sete crimes de branqueamento de capitais e oito de falsificação.