Glifosato: controvérsia persistente

Menos de 4% dos alimentos testados a nível europeu revelam resíduos de glifosato

Christian Hartmann

Todos os anos, os Estados-membros da União Europeia (UE) têm de enviar à Autoridade Europeia de Segurança Alimentar os respetivos relatórios nacionais de controlo de resíduos de pesticidas em alimentos. Segundo disse à SIC esta Autoridade, o relatório europeu com os resultados relativos à pesquisa de pesticidas nos alimentos enviados pelos Estados-membros em 2017 está a ser finalizado e deverá ser publicado antes do verão. A mais recente informação disponível para consulta pelos cidadãos refere-se a 2016.

O glifosato é um dos pesticidas pesquisados pelos países da UE no âmbito dos planos nacionais de controlo de resíduos nos alimentos. Das 6.761 amostras analisadas em 2016, foram encontrados resíduos de glifosato em 3,6% das amostras, nenhuma delas à venda em Portugal. Em 94,4% das amostras não foi detetado nenhum vestígio de glifosato.


Segundo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, apenas 19 amostras, ou seja 0,28%, excederam os limites máximos de resíduos para o glifosato.


As excedências dos limites máximos de resíduos de glifosato em 2016, a nível europeu, registaram-se numa amostra de sementes de papoila da Eslováquia, em cinco amostras de mel e outros produtos apícolas da Alemanha, e em sete amostras de trigo sarraceno e outros pseudocereais, 5 da Lituânia, 1 da China e 1 da Ucrânia. Seis outras amostras (quatro de trigo sarraceno e outros pseudocereais, um de milho e um de mel e outros produtos apícolas) foram notificados com origem desconhecida.


Os resultados agregados são publicados anualmente nos relatórios da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, mas a última informação disponível ainda é a de 2016.


Os limites máximos de resíduos propostos para cada alimento pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar "com base na ciência disponível são aprovados pelos representantes dos Estados-membros" e podem ser consultados online.


Para a água potável existe um valor genérico de 0.1 mg/L para todos os pesticidas definido no âmbito da Diretiva-Quadro da Água.