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Se atuais ministros respondessem ao questionário, seis arriscavam “chumbo”

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Há seis nomes que ficariam sinalizados ao responder ao questionário de escrutínio: cinco ao responder à pergunta 33 e outro ao responder à pergunta 16. Saiba quem são os governantes.

Apesar da insistência do Presidente da República, o primeiro-ministro não pretende sujeitar os atuais governantes ao mecanismo de escrutínio, criado pelo próprio Governo. Caso o fizesse, pelo menos seis governantes seriam sinalizados por causa dos casos em que estão envolvidos.

Das 36 perguntas, é a 33.ª que atinge mais governantes. Fernando Medina, Duarte Cordeiro, João Galamba, Paulo Cafôfo e José Maria Costa teriam de colocar uma cruz no “sim” à seguinte pergunta:

"Tem conhecimento de que seja objeto de investigação criminal qualquer situação em que, direta ou indiretamente, tenha estado envolvido?"

Apesar de não ser arguido em nenhum processo, Fernando Medina faria soar o alarme. Isto porque o nome do ministro das Finanças surge em três processos, entre os quais as buscas à Câmara de Lisboa por causa de contratos que poderão ter servido para financiar o PS e no caso também relacionado com a autarquia, que poderá ter violado a lei da contratação pública, entre 2014 e 2018.

É também este último processo que levantaria dúvidas sobre Duarte Cordeiro. Atual ministro do Ambiente, que à altura dos factos era vereador da Câmara de Lisboa.

Também João Galamba, ministro das Infraestruturas, teria de responder “sim” à mesma pergunta. Não foi constituído arguido, mas é um dos suspeitos de favorecer o consórcio EDP/Galp/REN no projeto do hidrogénio verde para Sines.

No atual Executivo, há também dois secretários de Estado que ficariam sinalizados.

Paulo Cafôfo, com a pasta das Comunidades, está a ser investigado desde 2018, num esquema de corrupção que serviria para financiar o PS/Madeira, através da Câmara do Funchal.

José Maria Costa, secretário de Estado do Mar, é também suspeito de violar a lei da contratação pública, quando era presidente da Câmara de Viana do Castelo.

O levantamento feito pelo Expresso visa ainda a ministra da Coesão Territorial, que ficaria sinalizada na 16.ª pergunta: "Algum membro do seu agregado familiar foi, nos últimos três anos, beneficiário de qualquer tipo de incentivo financeiro ou fiscal, de natureza contratual, concedido por entidade pública nacional ou da União Europeia?"

Em setembro, Ana Abrunhosa foi envolvida numa polémica por causa de dois apoios comunitários, um de 133 mil euros e outro de 66 mil, recebidos por duas empresas detidas em parte pelo marido.

No total, são pelo menos seis os governantes que fariam soar os alarmes. Mas nenhum está obrigado a preencher e a entregar o questionário.

“Os atuais membros do Governo, como eu próprio, já apresentámos as declarações que estão a ser sindicadas por entidades externas. Umas pelo Tribunal Constitucional, outras pela Assembleia da República. Já cumprimos essas obrigações e não passa pelo meu crivo. Já está feito”, afirma o primeiro-ministro.

Para já, o questionário fica guardado na gaveta. Ao que tudo indica, será usado para a vaga na secretaria de Estado da Agricultura.

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