Guerra Rússia-Ucrânia

Guerra na Ucrânia: porque é tão difícil contabilizar o número de mortos? 

02.03.2022 19:27

KHARKIV, UKRAINE – MARCH 1, 2022 – Fire engines are pictured during the response effort to the shelling of Russian invaders outside the Kharkiv Regional State Administration building in Svobody (Freedom) Square on Tuesday, March 1, Kharkiv, northeastern Ukraine. (Photo credit should read Vyacheslav Madiyevskyy/ Ukrinform/Future Publishing via Getty Images)

Um dos desafios da guerra na Ucrânia é confirmar o número exato das vítimas mortais, de ambos os lados.

Tanto a Rússia, como a Ucrânia dizem ter morto milhares de soldados. O Kremlin recusa ter civis como alvo e o governo ucraniano fala em mais de 2.000 civis mortos.  

Esta quarta-feira, a Rússia admitiu pela primeira vez que sofreu baixas desde a invasão à Ucrânia. No entanto, o número que apresenta é bastante inferior ao anunciado pelo Governo de Kiev.  

O ministro da Defesa da Rússia diz que 498 militares russos foram mortos e mais de 1.500 ficaram feridos. Mas autoridades ucranianas falam em 7.000 mil soldados russos mortos.  

Enquanto isso, a Ucrânia ainda não revelou o número de baixas militares do seu lado, dizendo apenas que pelo menos 2.000 civis morreram.  

Porque é que os números diferem? 

Numa guerra, os países usam a informação como parte da estratégia. De acordo com a BBC, isto pode ajudar a fortalecer o apoio a uma causa ou, em caso de mortes, a oposição a essa mesma causa.  

Esta estratégia pode levar à desinformação.  

Do lado da Ucrânia, que tem recebido apoio de países de todo o mundo, o Governo poderá querer mostrar a escala de destruição e o sofrimento humano causados pela invasão russa.  

Para a Rússia, as notícias do elevado número de mortes, tanto das forças russas, como de civis ucranianos, podem aumentar os protestos contra a guerra e representar uma ameaça à administração de Putin, responsável pela invasão da Ucrânia.  

Quais são as fontes de segurança? 

As Nações Unidas e os grupos de direitos humanos. No entanto, a BBC adianta que o trabalho, neste caso, está a ser dificultado para estas organizações.  

A emissora britânica explica que as equipas tiveram de ser realocadas e, muitas vezes, não conseguem chegar aos locais dos ataques para investigarem.  

Os números só são divulgados após a informação ser corroborada através de várias fontes diferentes, entre as quais sobreviventes, testemunhas, investigação ao local e relatórios de autoridades e outras organizações.  

Na terça-feira, a ONU estimou que pelo menos 136 civis morreram desde a invasão russa à Ucrânia. Contudo, a porta-voz Liz Throssell alertou que o número real “pode ser muito maior”. 

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