Guerra Rússia-Ucrânia

PCP defende fim da guerra mas acusa UE de “estar a deitar gasolina para a fogueira”

PCP defende fim da guerra mas acusa UE de “estar a deitar gasolina para a fogueira”

Entrevista a João Ferreira, dirigente comunista e ex-eurodeputado do PCP.

A opinião foi manifestada pelo dirigente do PCP na antena da SIC Notícias. Esclarecendo que estamos perante uma “guerra que nunca deveria ter acontecido, e que deve acabar o mais rapidamente possível”, João Ferreira diz que a solução passa por “perceber como chegámos aqui” e “não por fornecer armas aos ucranianos” ou “deitar gasolina para a fogueira” como a União Europeia está a fazer, criticou.

Começando por querer esclarecer a posição do PCP que, disse tem “sido alvo de muita manipulação”, e para que “não existam dúvidas: esta é uma guerra que nunca deveria ter acontecido e que deve acabar o mais rapidamente possível“.

“É este o ponto de partida no qual o PCP se coloca. É impossível olharmos para as consequências desta guerra e não sermos invadidos por um sentido de genuína empatia para com aqueles que sofrem a destruição, as vítimas civis. Isto são os horrores que esta guerra contém, como qualquer outra guerra, ela nunca devia ter acontecido e é fundamental que pare”, afirmou.

Porém, prosseguiu João Ferreira, “para conseguirmos uma saída deste conflito ajuda normalmente perceber como cá chegámos”, como chegámos a esta guerra. E isso “obriga-nos a não olhar só para o último passo: a invasão da Ucrânia pela Rússia”.

A guerra [na Ucrânia] não começou na semana passada” (João Ferreira)

Este “último passo insere-se num conjunto de outros e que não devem ficar fora do contexto que nos explica esta situação”, reforçou o dirigente do PCP, referindo-se a “um atitude agressiva durante anos de dispor em torno das fronteiras da Federação Russa capacidade militar da NATO“, “à ameaça que significou o pedido de adesão da Ucrânia à NATO”, até ao conflito que dura “há oito anos na região de Donbass“.

E até agora, nunca houve “uma tentativa de paz” e os acordos de Minsk “não foram respeitados”. Factos que, na opinião de João Ferreira, contribuíram para a “escalada da guerra”.

Mas como é possível travar esta guerra? Com “saídas concretas”, nomeadamente “o regresso aos acordos de Minsk, a desmobilização dos meios da NATO que foram colocados na fronteira russa, o cessar-fogo imediato e o fim de todas as hostilidades, e a saída das forças russas também“.

“Infelizmente, por exemplo, a União Europeia não parece interessada em nada disto porque não tomou nenhuma iniciativa neste sentido, pelo contrário, deita gasolina para a fogueira” (João Ferreira)

Fornecer armas aos ucranianos “não é a solução”

A “negociação é o princípio” e deve ser o caminho, mas neste momento “há quem entenda que não e que a solução é fornecer armas aos ucranianos até que o último ucraniano se consuma naquela guerra“. É, por isso, necessário “abrir uma saída política que acautele preocupações dos dois lados”.

“É possível condenar toda esta escalada e condenar igualmente uma ação que ocorre em resposta a tudo isto, à margem do Direito Internacional, em violação de princípios da carta das Nações Unidas, como foi a invasão russa da Ucrânia” (João Ferreira)

Insistindo na tese de “deturpação” de que o PCP está a ser alvo, João Ferreira reconheceu práticas condenáveis ao regime de Putin, como censurar órgãos de comunicação, mas concluiu: “Não podemos é olhar só uma realidade“.

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