Guerra Rússia-Ucrânia

PCP opôs-se a intervenção de Zelensky na AR: “Não vai ao encontro do objetivo de defender a paz”

06.04.2022 14:49

Lusa

Afinal, o convite a Zenlensky para discursar aos deputados portugueses não foi aprovado por unanimidade.

Ao contrário do que foi inicialmente avançado, o convite ao Presidente ucraniano para discursar na Assembleia da República não foi aprovado por unanimidade, o PCP opôs-se e a líder parlamentar justificou a decisão. “A proposta que está em cima da mesa não vai ao encontro do objetivo de defender a paz, de procurar uma solução negociada”, como defende o partido.

A proposta que está em cima da mesa [de ouvir o Presidente da Ucrânia no Parlamento] não vai ao encontro do objetivo de defender a paz, de procurar uma solução negociada que o PCP defende“, afirmou Paula Santos, a líder parlamentar do PCP, sustentando que “o papel da Assembleia da República deve ser o da paz” e “não para contribuir para a escalada da guerra, para a confrontação, para o conflito, para a corrida aos armamentos”.

Manifestando “toda a solidariedade com as vítimas da guerra na Ucrânia, que começou há oito anos e nunca devia ter começado”, o PCP considera que “tem havido um conjunto de posicionamentos, uma lógica de confrontação”, nomeadamente com a aplicação de sanções, que “não contribuem para a paz” e que, disse Paula Santos, são um “contributo para o escalar a guerra”.

“Este não é o caminho. (…) A solução para este conflito, para a Ucrânia, para a Europa e para o Mundo passa por avançar para uma perspetiva de cessar-fogo, pelo respeito da Carta das Nações Unidas, por encontrar uma solução de paz duradoura”, insistiu Paula Santos, criticando o caminho que tem sido traçado pela UE e Estados Unidos e acompanhado pelo Governo português.

A líder parlamentar comunista lembrou ainda, no final da sua intervenção nos Passos Perdidos, que o PCP está a “defender a paz desde 2014” e não desde dia 24 de fevereiro deste ano, quando teve início a invasão russa. “E ficámos sozinhos durante estes oito anos”, concluiu.

A reunião da conferência de líderes parlamentares aprovou, não por unanimidade, o convite para Zelensky discursar para os deputados portugueses. O Presidente Marcelo, que segundo o jornal Público, já havia manifestado “apoio incondicional” a esta possibilidade, terá agora de enviar o convite ao homólogo ucraniano, em articulação com o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro.

Esta será a primeira vez que um chefe de Estado vai discursar por videoconferência na Assembleia da República.

“A decisão foi tomada por maioria, com a oposição do PCP. A data em que acontecerá essa sessão ficou dependente do convidado”, Volodymyr Zelensky, apontou a porta-voz da conferência de líderes, a socialista Maria da Luz Rosinha, adiantando que a expectativa é que a intervenção do Presidente ucraniano aconteça na semana entre 18 e 22 deste mês.

Desde o início da ofensiva russa a 24 de fevereiro, o Presidente ucraniano já discursou em vários parlamentos, do Reino Unido a Itália, passando pelos Estados Unidos, Espanha, Dinamarca, Israel, Alemanha, França, Suécia, Roménia, Japão, entre outros países, assim como se dirigiu às Nações Unidas e ao Parlamento Europeu.

E já esta quarta-feira voltou a fazê-lo no Parlamento irlandês. Aos deputados, Zelensky criticou a “indecisão” de alguns líderes na introdução de sanções contra a Rússia, instando a União Europeia (UE) a endurecer ainda mais as suas medidas.

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