Guerra Rússia-Ucrânia

Rússia recorre a prisioneiros para reforçar tropas na Ucrânia

Rússia recorre a prisioneiros para reforçar tropas na Ucrânia
Mikhail Pivikov / EyeEm / Getty Images
Vários militares tentam rescindir contrato com o Ministério da Defesa russo.

A Rússia enfrenta dificuldades para recrutar soldados e vários elementos das tropas russas procuram uma saída da zona de guerra. Agora, as autoridades recorrem a prisioneiros para aumentar força militar.

Na prisão de São Petersburgo, na Rússia, os prisioneiros foram abordados por homens de uniforme que lhes ofereceram amnistia, caso quisessem lutar ao lado do exército russo na Ucrânia, relata a Associated Press.

Nos dias seguintes, cerca de uma dúzia saiu da prisão, contou a namorada de um prisioneiro, explicando que apesar de o namorado não estar entre os voluntários, considerou a opção por lhe faltarem ainda cumprir vários anos de pena.

Segundo Vladimir Osechkin, fundador do grupo de direitos dos prisioneiros Gulagu.net, o recrutamento de prisioneiros tem acontecido nas últimas semanas em sete regiões.

A Rússia continua a sofrer perdas militares na sua invasão à Ucrânia, mas o Kremlin recusa-se a anunciar uma mobilização total - um movimento que poderia ser muito criticado. Assim, existe agora um esforço de recrutamento que inclui a utilização de prisioneiros para compensar a escassez de mão-de-obra.

Além disso, há relatos de que centenas de soldados russos se recusam a lutar e que tentam desistir das forças armadas.

"Estamos a assistir a uma enorme saída de pessoas que querem deixar a zona de guerra", disse o advogado Alexei Tabalov, que dirige uma empresa de assistência jurídica, relatando que assistiu a um aumento de pedidos para rescindir os contratos com o exército russo.

"Eu, pessoalmente, tenho a impressão de que todos os que puderem estão prontos para fugir", disse à Associated Press.

E o Ministério da Defesa está a cavar fundo para encontrar pessoas que possa persuadir para servirem [com o exército russo].

Embora o Ministério da Defesa negue que estejam a decorrer quaisquer "atividades de mobilização", as autoridades parecem estar a fazer esforços para que mais pessoas se alistem no exército: no país existem vários outdoors e anúncios que exortam os homens a juntarem-se ao exército, existindo até centros móveis de recrutamento em algumas cidades.

As administrações regionais estão a formar "batalhões de voluntários", prometendo salários mensais entre os 2.150 e os 5.500 dólares (entre cerca de 2.078 e 5.315 euros), mais bónus.

No início de agosto, Tabalov disse ter começado a receber também vários pedidos de ajuda de militares na reserva, que receberam ordens para participar numa formação de dois meses em zonas próximas da fronteira com a Ucrânia.

Em meados de julho, a Free Buryatia Foundation relatou que cerca de 150 homens conseguiram rescindir contrato com o Ministério da Defesa russo e regressaram da Ucrânia para Buryatia, uma região na Sibéria Oriental que faz fronteira com a Mongólia. Alguns dos militares estão a enfrentar repercussões.

Tabalov disse ainda que alguns soldados se queixam de terem sido enganados sobre o seu destino, enquanto outros estão exaustos dos combates e incapazes de continuar.

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