Guerra Rússia-Ucrânia

Ataques ucranianos "irritam Moscovo" e "desacreditam as forças armadas russas"

Loading...

O comentário de José Milhazes num dia marcado por bombardeamentos na Ucrânia.

A Rússia voltou a intensificar os bombardeamentos na Ucrânia. José Milhazes considera que esta forma de fazer guerra, assumida por Moscovo, pretende causar “destruição total das infraestruturas ucranianas”. Acrescenta ainda que os bombardeamentos podem ter sido “uma represália pelos dois ataques ucranianos lançados em território russo”.

“Putin vê-se numa situação em que as suas tropas terrestres não avançam ou avançam a passo de caracol. A única coisa que ele pode mostrar da sua força é a destruição de alvos civis e alguns militares – a maioria alvos civis”, afirma em entrevista à Edição da Tarde.

Milhazes sublinha que os ataques aos aeródromos russos com dois drones ucranianos mostram que “ou o sistema de defesa antiaéreo russo é muito mau”, ou “os drones poderiam ter sido lançados a partir da própria Rússia”.

“Qualquer uma dessas hipótese vem mostrar, uma vez mais, que a Rússia tem pontos muito fracos na defesa e que a Ucrânia irá utilizá-los cada vez mais, atingindo regiões cada vez mais no interior da Rússia”, afirma.

Os dirigentes ucranianos afirmam ter drones capazes de voar 1.000 quilómetros, o que poderá “ser atingidas cidades ou infraestruturas militares importantes”, o que, segundo Milhazes, “irrita Moscovo, por não conseguir travar estes ataques ucranianos que vêm desacreditar as forças armadas russas”.

Sobre a visita de Vladimir Putin à ponte da Crimeia, Milhazes afirma que foi uma “visita para inglês ver”. É a segunda vez que o Presidente russo atravessa esta ponte, tendo a primeira ocorrido na inauguração da infraestrutura.

“É uma tentativa para mostrar aos russos que o Presidente não receia este tipo de visitas. Embora se deva dizer que isto não é propriamente a frente de combate. É também preciso assinalar que Putin nunca fui à frente de combate na Ucrânia. O Kremlin anda há muito a prometer esta visita, mas até agora nada”, afirma o comentador.

Envelopes armadilhadas pretendem “criar pânico” e “impor o terror”

Dois envelopes suspeitos chegaram esta segunda-feira à embaixada da Ucrânia em Lisboa. A PSP não encontrou explosivos nos invólucros, mas ainda estão no local, juntamente com meios da Unidade Especial da Polícia. Depois dos cartas-bomba enviada para Espanha, José Milhazes sublinha que estes esquemas pretendem “criar pânico” e “impor o terror” nas cidades europeias.

“Eu acho que se deve tratar de grupos em vários países que atuam segundo os mesmos esquemas e as mesmas formas e o objetivo deles é precisamente criar pânico, impor o terror, nas várias cidades europeias onde estas encomendas estão a chegar”, afirma José Milhazes.

O comentador da SIC cita a história para concluir que “por detrás de uma operação destas estarão os serviços secretos e, ao que tudo indica, serão russos”. “Pode não ser diretamente, mas através de grupos de alegados patriotas”, acrescenta.