Histórias de 28mm

O exercício desta noite era tomar um edifício onde operava uma "célula terrorista"

Rui Caria

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Repórter de imagem/ Fotojornalista

Eram cinco homens em cada um dos quatro pequenos botes.

Eram quase dez horas da noite, a água do mar, fria, assinalava a chegada do Outono, quando vinte militares do pelotão de fuzileiros deixavam o Navio Patrulha Oceânico, Figueira da Foz e faziam-se ao mar.

Eram cinco homens em cada um dos quatro pequenos botes. O barulho dos motores confundia-se, na escuridão, com o som do mar enrolado à passagem desta força de fuzileiros que desembarcou numa praia, na zona da Comporta.

Rui Caria

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O exercício desta noite era tomar um edifício onde operava uma "célula terrorista", responsável por diversos assaltos a navios mercantes ou de pesca na região.

O cenário foi montado na antiga estação de desmagnetização em Tróia e este exercício teve a particularidade de ser executado com a ajuda de meios aéreos não tripulados.

Os equipamentos, desenvolvidos por uma empresa americana, permitiram preparar a operação à distância e localizar os "terroristas" no edifício, tornando mais precisa a acção do Batalhão de Fuzileiros número 2 - BF2.

Rui Caria

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Os dois quilómetros que separavam a zona de desembarque e o edifício foram feitos num compasso certo, pelas areias incertas do mato escuro.

Caminharam com a fraca luz de uma Lua acabada de surgir no horizonte; sem ruídos que não os dos passos no areal ou dos ramos que estalavam debaixo das botas dos militares, foram feitas duas paragens de reconhecimento onde se verificaram os meios eletrónicos de vigilância ao alvo.

Rui Caria

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A chegada da tecnologia às forças armadas é inevitável e acontece num novo paradigma que coloca a chamada tecnologia militar atrás da tecnologia de consumo. Hoje, cada vez mais, aproveita-se e adapta-se a tecnologia que vai saindo para o mercado.

"Há hoje uma comunidade alargada que junta os militares e os seus conhecimentos operacionais, com as universidades e as suas investigações tecnológicas; por fim, junta-se a indústria que percebe esta parceria e cria produtos dedicados a preços muito mais baixos do que anteriormente e com muito mais capacidade operacional". Refere o Comandante Naval da Marinha Portuguesa, Gouveia e Melo.

Rui Caria

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As linhas da frente nunca serão completamente substituídas por ciborgues. O Homem estará sempre presente. Mas a ajuda que a tecnologia oferece, cada vez mais, às forças armadas é inegável.

O sucesso deste raid anfíbio de exercício dos Fuzileiros da Marinha Portuguesa mostra um dos lados da importância do Homem se juntar à máquina; o lado do combate. Mas é também na ajuda às populações, nos salvamentos e na manutenção da paz que os militares contam, cada vez mais, com a tecnologia.