Histórias de 28mm

Costuram com a alegria de quem ajuda os outros e esperam que tudo passe depressa

Rui Caria

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Repórter de imagem/ Fotojornalista

Apesar de há mais de quarenta dias não haver casos positivos da covid-19 nesta Ilha dos Açores, o processo de produção e distribuição de máscaras de proteção, continuará por tempo indeterminado, para já, pelas onze freguesias do concelho da Praia da Vitória.

"Mas o mundo nos chama loucos" é a música que se escuta no telefone da dona Gabriela, antes dela atender a chamada do presidente da Junta de Freguesia das Quatro Ribeiras que lhe irá oferecer uma máscara de protecção contra a COVID 19.

A dona Gabriela é uma das muitas pessoas do concelho da Praia da Vitória, na Ilha Terceira, que irá receber uma máscara.

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Basta deixar o nome numa lista criada pela junta, e o Bruno Lopes, o presidente, distribui, ao fim da tarde, as máscaras porta a porta pela freguesia.

"Em dois ou três dias por semana, consegue-se entregar uma remessa até que chegue a próxima". Diz o jovem presidente da junta, enquanto conduz a sua carrinha pelas ruas da pequena localidade.

Ao toque na campainha ou ao grito no quintal, todas as portas se abrem para receber as máscaras que são entregues com um manual de instruções para que sejam correctamente usadas.

Rui Caria

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A produção das máscaras obedece a um único desenho e é coordenada por uma loja de tecidos da cidade.

"Foi-nos dado um desenho para podermos criar as máscaras todas iguais". Explica a Esmeralda Aguiar, costureira há mais de trinta anos, que nesta altura, diz, já devia estar a produzir vestidos para os diversos desfiles das festas de Verão, agora, todas canceladas devido à pandemia.

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As máscaras apenas diferem na cor: verdes, brancas, azuis, ou vermelhas, são criadas a partir do tecido que chega às casas das costureiras ou aos ateliês de costura do concelho.

A mobilização foi total. São mais de trinta costureiras que estão hoje a trabalhar em casa e num único produto.

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"Já sonhamos com branco" diz, entre risos, a Olga Martins, costureira num atelier do centro da cidade. Com a Olga, trabalham ali, mais três mulheres. Começaram no início de Maio a criar estas máscaras e conseguiram entregar, na primeira semana, cerca de quinhentas.

Sabem que têm de fazer, pelo menos, cinco mil. Mas agora, com a prática que já ganharam, garantem que o processo será mais rápido.

Rui Caria

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Noutra ponta da cidade, o Eduardo Brasil diz estar a gostar desta experiência. Já foi, entre outros ofícios, jardineiro e pedreiro, agora está dedicado à costura.

"Nunca na minha vida pensei fazer máscaras destas". Habituado a ajudar a produzir artigos de vestuário e acessórios para serem exibidos nas festas do concelho, este funcionário do município, apanhado numa espécie de ironia do "novo normal", costura agora as máscaras no mesmo armazém onde estão guardados todos os fatos dos desfiles que não vão haver este ano.

Rui Caria

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Submeteram-se ao teste à Covid 19 antes de começarem esta tarefa. E apesar de todos preferirem estar nesta altura a criar o guarda roupa das marchas populares e das dezenas de festas que deveriam acontecer nos próximos meses pela Ilha, foram as máscaras que apareceram a pedido da autarquia, numa tentativa, também, de ajudar a manter o trabalho destas pessoas.

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Costuram-nas com a alegria de quem ajuda os outros e esperam que tudo passe depressa. É um sentimento que atravessa todos os que estão a trabalhar nesta nova tarefa. E apesar de há mais de quarenta dias não haver casos positivos da doença nesta Ilha dos Açores, o processo de produção e distribuição de máscaras de proteção, continuará por tempo indeterminado, para já, pelas onze freguesias do concelho da Praia da Vitória.

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