Histórias de 28mm

Diego e Patrícia deixaram para trás a pressa da cidade para serem felizes na ilha mais pequena dos Açores

Rui Caria

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Repórter de imagem/ Fotojornalista

Os dois recentes habitantes do Corvo referem um lugar mágico, onde se pode viver em segurança, sem medo de sair à rua e sem olhares "estranhos".

Todas as manhãs, os corvinos esperam o pão fresco feito pelas mão de um antigo segurança privado.

O Diego Stones, de 39 anos, vive há dois anos no Corvo e é natural do Brasil. Escolheu a ilha mais pequena do arquipélago do Açores para ser feliz.

Visitou há muitos anos a ilha pela primeira vez com a irmã que lá vivia. Recorda que havia apenas três mulheres solteiras no Corvo, nessa altura.

Rui Caria

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O Corvo, e uma das mulheres, nunca mais deixaram de lhe povoar o pensamento. De volta ao Brasil, foi através da Internet que solidificou a amizade com a corvina que já tinha conhecido na ilha.

Acabaram por casar.

Veio ao Corvo ter com ela e apesar de ter vontade de ficar logo, a mulher quis experimentar a vida no Brasil. Não resultou.

"Vivemos durante quatro anos no Brasil e a minha mulher viu gente a ser assassinada à sua frente. Isso fez com que ela quisesse voltar ao Corvo. Voltámos, e espero que seja para sempre." Diz o Diego, enquanto amassa o pão às quatro da manhã, na única padaria da ilha.

Além do trabalho de padeiro, faz umas horas no matadouro e diz que o que ganha é suficiente para poder viver bem, com a família, na ilha.

Rui Caria

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"Não penso em sair daqui, este é o meu cantinho. Apaixonei-me por este lugar"

O Diego não foi o único a trocar a azáfama da vida na cidade pela tranquilidade de uma ilha onde vivem cerca de 460 pessoas.

A Patrícia Guimil, de 31 anos, nascida em Madrid, Espanha, chegou ao Corvo através do programa Erasmus. Nunca mais saiu da pequena ilha, "para já não penso em sair daqui, este é o meu cantinho. Apaixonei-me por este lugar". Refere num tom descansado, à medida que vai roçando a erva nos muros de pedra que cuida pela manhã.

O trabalho é quase sempre embalado pela música espanhola que toca no telemóvel. A Myrica, a pequena gata que morreu no dia seguinte a esta entrevista, tinha sido, até ali, a sua companhia pelas ruas da vila.

O trabalho como paisagista é o que lhe dá prazer fazer porque gosta de ajudar a embelezar a ilha. "Faço o trabalho que gosto e estou tranquila neste lugar onde ninguém se importa com a nossa vida pessoal. Todos vivem apenas as suas vidas."

Rui Caria

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A escolha da Patrícia pela vila do Corvo parece ser a que lhe dá mais liberdade, apesar das saudades da família que já a visitou nos Açores.

"Estar aqui é um sentimento que não sei explicar muito bem, de vez em quando vou visitar a família a Madrid porque a minha mãe tem medo de voar. Mas apesar das saudades, eles ficam contentes se eu estiver contente."

Rui Caria

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Os dois recentes habitantes do Corvo referem um lugar mágico, onde se pode viver em segurança, sem medo de sair à rua e sem olhares "estranhos".

A pressa ficou nas cidades, dizem os dois. Não lhes falta nada para serem felizes. Conhecem-se porque quase todos se conhecem nesta ilha açoriana que conta com cada vez mais pessoas em busca do sossego que já não encontram nas suas terras.