Incêndio na Notre-Dame

"Coletes Amarelos" irritados com doações para a catedral de Notre Dame

BENOIT MOSER / BSPP / HANDOUT

As doações milionárias angariadas para a reconstrução da catedral de Notre Dame suscitaram descontentamento.

O movimento dos "coletes amarelos" questionou hoje, face ao enorme fluxo de doações para a reconstrução da catedral de Notre-Dame, em Paris, atingida por um incêndio na segunda-feira, onde estão as doações para as emergências sociais em França.

"São capazes de dar dezenas de milhões para reconstruir Notre-Dame, mas continuam a dizer que não há dinheiro para dar resposta à situação de emergência social" em França, denunciou Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, um dos principais sindicatos franceses.

Também Ingrid Levavasseur, uma das figuras importantes dos "coletes amarelos", denunciou "a inércia dos grandes grupos diante da miséria social".

Desejando que todos "voltassem à realidade", questionou o facto de esses grupos terem mostrado "a sua capacidade de mobilizar numa única noite "un pognon de dingue" (uma quantidade louca de dinheiro) para Notre-Dame.

A expressão "on dépense un pognon de dingue" (gastamos uma quantidade louca de dinheiro) foi usada anteriormente pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, sobre as ajudas sociais, o que despertou na altura fortes críticas.

As grandes fortunas e vários grupos empresariais anunciaram doações para a reconstrução da catedral de Notre-Dame.

A família Pinault prometeu 100 milhões de euros, tendo sido seguida pela LVMH e pela família Arnault, a maior fortuna de França, que anunciou uma doação de 200 milhões de euros.

Posteriormente, a família Bettencourt-Meyers e o grupo L'Oréal prometeram 200 milhões e a companhia petrolífera Total anunciou uma doação de 100 milhões.

Os "coletes amarelos" manifestam-se há meses na rua, inicialmente para protestar contra os impostos, mas a sua contestação transformou-se em uma miríade de exigências, que abrange questões institucionais, políticas, económicas e sociais.

No dia em que o incêndio devastou Notre-Dame, Macron deveria ter feito uma série de anúncios para responder a essa crise.

Este anúncio foi adiado sem data ainda para ser realizado.

A catedral de Notre-Dame encontrava-se em obras de restauro no seu exterior quando, na segunda-feira à tarde, deflagrou um violento incêndio que demorou cerca de 15 horas a ser extinto.

A Procuradoria de Paris disse que os investigadores estavam a considerar o incêndio como um acidente.

O Presidente Emmanuel Macron prometeu que a catedral do século XII será reconstruída.

A tragédia de Notre-Dame gerou mensagens de pesar e de solidariedade de chefes de Estado e de Governo de vários países, incluindo Portugal, bem como do Vaticano e da ONU.

Lusa.

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