Incêndios na Amazónia

Mundo de olhos postos na tragédia na Amazónia

Bruno Kelly

O número de incêndios no Brasil cresceu 70% este ano, em comparação com 2018, tendo o país registado 66,9 mil focos até ao passado domingo, com a Amazónia a ser a área mais afetada.

A ONU mostrou-se esta quinta-feira muito preocupada com os incêndios que estão a atingir a Amazónia, no Brasil, e considerou que a sustentabilidade desta floresta é "crítica para o bem-estar da humanidade".

"Estamos muito preocupados com os fogos, pelos danos imediatos que estão a causar e porque sustentar as florestas é crucial na nossa luta contra as alterações climáticas."

As declarações foram feitas pelo porta-voz Stephane Dujarric, que referiu ainda que as Nações Unidas ainda não estão informadas sobre as causas dos incêndios que consomem a floresta há mais de duas semanas.

Porque é que a Amazónia é tão importante para o mundo?

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Com cerca de 5 milhões e meio de quilómetros quadrados, a floresta estende-se pelo Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Considerada como o pulmão do mundo, a floresta tropical tem uma grande importância para estabilizar o clima a nível mundial.

José Miguel Pereira explicou que os fogos colocam em perigo a capacidade da floresta em absorver dióxido de carbono da atmosfera e retê-lo em forma de biomassa vegetal. O especialista em Ecologia Florestal falou ainda sobre a fauna e a flora que saem afetadas.

Estima-se que cerca de 10% das espécies de animais e plantas que existem no mundo estão presentes na Amazónia.

Perdas na Amazónia poderão ser "irreparáveis"

Jerónimo Sansevero, professor do Departamento de Ciências Ambientais do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, explicou à BBC que, no pior dos cenários, a floresta não voltará a regenerar-se.

"Estamos perante uma perda irreparável. Nunca tivemos uma perda tão alta nas últimas três décadas"

O especialista acredita que seriam necessários, no mínimo 20 anos, para recuperar as zonas afetadas, dependendo do impacto causado na vegetação original.

Queimadas na Amazónia preocupam brasileiros

A onda de incêndios na Amazônia, que já afeta outras zonas do Brasil, está a preocupar e a mobilizar os brasileiros pelo futuro da floresta e do meio ambiente.

Bolsonaro culpa ONG

O Presidente do Brasil veio a público, na quarta-feira, responsabilizar Organizações Não Governamentais pelos incêndios.

Jair Bolsonaro defendeu que as ONG estariam por trás dos fogos "com a intenção de trazer problemas para o Brasil" e por o Governo brasileiro lhes ter cortado o financiamento. Não apresentou provas, mas disse que este tipo de crime existia.

Na reação, no mesmo dia, a coordenação do Observatório do Clima, coligação de cerca de 50 organizações não-governamentais brasileiras em prol do ambiente, afirmou que o "recorde de queimadas no país reflete a irresponsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro".

"As queimadas são apenas o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do Governo de Jair Bolsonaro e do seu ministro do Meio Ambiente, o ímprobo Ricardo Salles, que turbinou o aumento da taxa de desflorestação no último ano"

Os ambientalistas acusam Jair Bolsonaro de querer desviar as atenções e criticam as declarações irresponsáveis do Presidente brasileiro.

Depois das acusações, Bolsonaro admitiu que não consegue provar o envolvimento de ONG nos fogos. Diz agora que estava apenas a falar de uma suspeita e não a fazer acusações.

As políticas de Bolsonaro

No final de 2018, a Greenpeace denunciou que as florestas, povos e clima da Amazónia brasileira estavam em perigo com as políticas ambientais defendidas pelo Presidente brasileiro.

"Tudo o que funcionou no combate contra a destruição da floresta está sob ameaça."

O alerta foi deixada pelo coordenador de políticas públicas da Greenpeace Brasil, que disse que Bolsonaro tencionava "permitir a exploração de terras indígenas e de unidades de conservação", o que levaria a uma "explosão de violência no campo e poria em risco a esperança climática do planeta".

Em abril, Jair Bolsonaro defendeu que a exploração da Amazónia devia ser feita em parceria com os Estados Unidos da América e reafirmou a sua intenção de rever demarcações de reservas indígenas no país. Questionou ainda relatórios que delimitam as reservas indígenas no Brasil.

Esta segunda-feira, os governadores dos estados brasileiros da Amazónia criticaram as iniciativas do Governo, que levaram a Noruega e a Alemanha a suspender as suas contribuições para o Fundo Amazónia por desconfiarem das intenções de Bolsonaro.

"O bloco amazónico lamenta que as posições do Governo brasileiro tenham provocado a suspensão dos recursos. Nós, governadores da Amazónia Legal, somos defensores incondicionais do Fundo Amazónia."

Num comunicado, o consórcio diz ser "radicalmente contra qualquer prática ilegal de atividades económicas na região".

Amnistia Internacional responsabiliza Bolsonaro

O secretário-geral da Amnistia Internacional responsabilizou esta quinta-feira o Presidente do Brasil pelos fogos que grassam na Amazónia, por permitir a desflorestação de parte deste território e pela inação face a ilegalidades.

"A responsabilidade de parar estes fogos que têm atingido a floresta da Amazónia é do Presidente Bolsonaro e do seu Governo", escreveu Kumi Naidoo numa nota à imprensa, na qual aponta que o Brasil "tem de mudar a sua desastrosa política de permissão de desflorestação, que é o que abriu caminho a esta crise".

Famosos deixam alerta

De todos os cantos, chegam mensagens de tristeza e alerta para os perigos que a humanidade está a enfrentar. Atores, cantores e políticos recorrem às redes sociais deixar um alerta comum.

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