Operação Lava Jato

Michel Temer é suspeito de receber suborno em contratos

Fernando Bizerra Jr

A investigação que levou à prisão de Temer resulta do desmembramento das operações "Radioatividade", "Pripyat" e "Irmandade".

O ex-Presidente do Brasil Michel Temer, detido esta quinta-feira, está acusado de receber suborno da construtora Engevix, com dinheiro desviado de contratos firmados com a estatal Eletronuclear, divulgou o Ministério Público Federal do Brasil.

Segundo aquele órgão de justiça brasileiro, a investigação que levou à prisão de Temer resulta do desmembramento das operações "Radioatividade", "Pripyat" e "Irmandade" e foi encaminhada em janeiro - Michel Temer cessou funções como Presidente da República a 31 de dezembro - pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a 7.ª Vara Federal Criminal do estado do Rio de Janeiro.

Organização criminosa atuou na construção da central nuclear Angra 3

Os investigadores informaram, em comunicado, que durante a operação "Radioatividade" foi identificada uma organização criminosa que atuou na construção da central nuclear Angra 3, praticando crimes de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes à licitação.

"Após celebração de acordo de colaboração premiada com um dos envolvidos e o aprofundamento das investigações, foi identificado sofisticado esquema criminoso para pagamento de suborno na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix para a execução do contrato de projeto de engenharia da usina nuclear de Angra 3".

Um milhão de reais em suborno

O mesmo órgão relata que a Eletronuclear terá contratado empresas ligadas ao ex-Presidente e que não tinham pessoal e trabalhos consolidados no mercado para a realização de serviços naquela central e que foi subcontratada a construtora Engevix para realizar os trabalhos.

Em troca do contrato, segundo o Ministério Público Federal, a Engevix pagou suborno às empresas ligadas ao ex-Presidente Michel Temer, no final de 2014, através de transferências que totalizaram mais de um milhão de reais (250 mil euros, ao câmbio de hoje).

Simulados contratos de prestação de serviços

O dinheiro foi transferido para a empresa da Alumi Publicidades e para a PDA Projeto e Direção Arquitetônica, ambas controladas por João Baptista Lima Filho, próximo de Temer.

Para justificar as transferências, prossegue a acusação, foram simulados contratos de prestação de serviços da empresa PDA para a empresa Alumi.

O empresário suspeito de pagar o suborno afirmou ao Ministério Público ter prestado contas desse pagamento ao ex-ministro Moreira Franco.

"As investigações demonstraram que os pagamentos feitos à empresa AF Consult do Brasil ensejaram o desvio de 10 milhões e 859 mil reais (2,5 milhões de euros), tendo em vista que a referida empresa não possuía capacidade técnica, nem pessoal para a prestação dos serviços para os quais foi contratada", frisou o Ministério Público Federal brasileiro.

"A investigação atual ainda mostra que diversas pessoas físicas e jurídicas usadas de maneira interposta na rede de lavagem de ativos de Michel Temer continuam recebendo e movimentando valores ilícitos, além de permanecerem ocultando valores, inclusive no exterior", acrescentou.

O Ministério Público Federal afirmou ainda que foi criado "um braço da organização especializado em atos de contrainteligência, a fim de dificultar as investigações, tais como o monitoramento das investigações e dos investigadores, a combinação de versões entre os investigados e, inclusive, seus subordinados, e a produção de documentos forjados para despistar o estado atual das investigações".

Justiça determinou prisão preventiva

Na manhã desta quinta-feira, a Justiça Federal brasileira determinou a prisão preventiva de Temer, João Baptista Lima Filho, do ex-ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, de Maria Rita Fratezi, Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei de Natale e Carlos Alberto Montenegro Gallo.

Também foi determinada a prisão temporária de Rodrigo Castro Alves Neves e Carlos Jorge Zimmermann e a realização de busca e apreensão nos endereços desses investigados, assim como de Maristela Temer, Othon Luiz Pinheiro da Silva, Ana Cristina da Silva Toniolo e Nara de Deus Vieira.

Lusa

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