Legislativas 2019

Arruada, fénix e o “futuro primeiro-ministro” - Um dia na campanha do PSD

Cláudia Monarca Almeida

Nas últimas horas da campanha, o PSD tomou as ruas da baixa lisboeta para a tradicional arruada. Houve gritos por “vitória”, “saudações democráticas” aos adversários e uma personagem extravagante que cativou os fotógrafos.

Ao virar da esquina já se ouvem os tambores. Concentrados junto à ‘Brasileira’, o café icónico do Chiado, os militantes fazem a festa com a Juventude Social Democrata (JSD) no papel principal. Uns dançam, uns agitam as bandeiras e todos cantam: “PSD, PSD. A vitória dia 6 eu quero ver!”


Rui Rio ainda não chegou e a espera ainda vai durar cerca de meia hora. Por enquanto vai-se formando o desfile. A organização prepara um cordão que quer alargar o cerco dos jornalistas, que tão tradicional como a arruada, costuma afunilar tanto que torna quase impossível ver o líder a passar. Os fotógrafos e repórteres de imagem não estão contentes. Sem o caminho desimpedido, lá se vão as melhores imagens.

Manuela Ferreira Leite chega-se à frente e começam o rufar dos tambores. Pouco depois lá se houve um “deixa passar”. Rio chegou. Pode avançar a arruada.

Cláudia Monarca Almeida

É quando as atenções estão todas concentradas no recém-chegado líder, que entra em cena uma nova personagem. “Genial”, comenta um fotógrafo estrangeiro. Montada numas andas que a elevam muito acima da multidão, vestida com roupas laranjas cheias de brilhos e penas que fazem lembrar uma fénix, a nova personagem rouba as atenções das objetivas.

Fica para trás a personagem, segue Rio na frente da arruada. “Rio, amigo. A Jota está contigo”, canta a JSD. Logo a seguir vêm gritos repetidos e ritmados por “Vitória” e “Portugal”.

Dos dois lados da rua, são muitos os turistas que param para ver o que se está a passar. Muitos tiram fotografias e filmam um pouco. Nem todos têm a certeza do que se está a passar.

Cláudia Monarca Almeida


Finda a descida do Chiado, vira a caravana à esquerda. Seguem pela Rua 1 de Dezembro, cortam em direção à estação do Rossio e continuam até ao Largo do Carmo. “Rio vai em frente, tens aqui a tua gente.” A íngreme subida não parece tirar o folgo aos militantes e é mesmo nos últimos metros que se começa a ouvir o hino nacional.

Chegados à frente das ruínas do Carmo, há um palco que os aguarda. Uma voz ao microfone anuncia: “E agora, o futuro primeiro-ministro de todos os portugueses” e Rui Rio sobe os degraus e acena à multidão laranja.

Começa a intervenção da número um por Lisboa, Filipa Roseta, mas logo a seguir é a vez de Rio. O líder do PSD começa por tirar do bolso os óculos e um guião - umas folhas brancas escritas à mão.

As primeiras palavras são de homenagem, como as circunstâncias impõem, a Freitas do Amaral. É em sinal de luto pelo fundador do CDS que o partido optou por cancelar o comício que iria encerrar a campanha e limitar-se a estas breves intervenções no final da arruada.

Cláudia Monarca Almeida

Em jeito de conclusão (afinal, estamos na última ação da campanha), Rio percorre rapidamente os pontos centrais do programa eleitoral. Fala na aposta nos transportes públicos e nas creches - para que os portugueses não deixem de ser pais porque não têm onde deixar o filhos - na agricultura e na qualidade de vida, para as metrópoles e para o interior.

Segue o apelo ao voto. Salvaguardando que não votar também é um direito, Rio afirma que a abstenção é igualmente uma forma de “reforçar aquilo que existe”. Para a mudança recomenda o voto no PSD. “A nossa mudança não é para a esquerda nem para a direita. É para o centro, que é onde está o equilíbrio.”

Cláudia Monarca Almeida

Finalizando com a promessa de uma “postura de Estado” e de “não ir para a administração pública inundá-la de familiares”, num claro ataque ao PS, Rio envia uma “saudação democrática” aos adversários e conclui com uma citação. Em democracia, “o povo é quem mais ordena”.

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