Legislativas 2019

PSD com mais de 40% manteve hegemonia no distrito de Bragança

Rafael Marchante

O distrito regista nestas eleições uma perda de cerca de seis mil eleitores em relação às legislativas de 2015.

O PSD conseguiu hoje no círculo eleitoral de Bragança a votação mais expressiva a nível nacional, com quase 41% dos votos, mantendo a hegemonia num distrito que apenas votou à esquerda na maioria socialista de 2005.

Entre os três deputados que cabem a esta região na Assembleia da República, os sociais-democratas mantém dois lugares ocupados novamente por Adão Silva e com a estreia de Isabel Lopes, e o PS continua com um lugar e o repetente Jorge Gomes, antigo secretário de Estado da Administração Interna.

O distrito regista nestas eleições uma perda de cerca de seis mil eleitores em relação às legislativas de 2015, com 141.541 inscritos contra os 147.467 de há quatro anos, segundo dados oficiais do Ministério da Administração Interna.

A mesma redução verifica-se no número de votantes que passaram de 69.644 para 63.534 com a abstenção a superar os 55%.

O PS teve nas eleições de hoje uma percentagem superior comparando com o resultado de há quatro anos, mas perdeu cerca de 500 votos, fincando por 23.215 e 36,5%.

O PSD contabilizou 25.909 votos, o que corresponde a 40,78%, que não podem ser comparados com o resultado de há quatro anos, quando concorreu coligado com o CDS-PP.

A coligação conquistou há quatro anos mais de 49% dos votos, o equivalente a 34.408.

O CDS-PP sozinho conseguiu hoje 2.831 votos, em Bragança, ficando como a quarta força política mais votada.

A terceira força política nesta região voltou a ser o Bloco de Esquerda com uma votação semelhante a 2015, de pouco mais de 3.800 votos.

A CDU caiu de 2.136 para 1.347 votos e o PAN subiu de 537 para 831.

Os eleitores do distrito de Bragança entregaram 533 votos ao Chega, 360 ao RIR, 313 ao PCTP/MRPP e 309 ao Aliança.

Todos as restantes, de um total de 18 candidaturas, obtiveram votos abaixo dos 300 neste círculo eleitoral.

O PSD e o PS são os partidos com maior expressão eleitoral há mais de 30 anos nesta região que já teve cinco deputados na Assembleia da República, passou para quatro e agora tem três.

A perda de lugares parlamentares é um dos reflexos do despovoamento confirmado pelos indicadores estatísticos que mostram que o distrito de Bragança perdeu mais de onze mil habitantes desde o último Censos de 2011 até 2018.

A população daquele que é um dos maiores distritos em termos de área territorial em Portugal rondava, em 2018, os 125 mil residentes, segundo o EyeData, o portal de análise de dados estatísticos da Social Data Lab para a agência Lusa.

Em menos de oito anos, esta região perdeu 11.455 habitantes, quase tantos como na década anterior analisada pelo último Censos que, em 2011, contabilizou uma perda de 12.424, em relação a 2001.

O Censos de 2011 indicava que o número de habitantes do distrito de Bragança tinha diminuído de 148.883, em 2001, para 136.459, uma década depois.

Já o número de eleitores continua a ser superior, atualmente em mais de 16.500, ao dos residentes, com um total de 141.541 inscritos.

Nenhum dos 12 concelhos do distrito tem um saldo natural da população positivo, já que em todos eles o número de óbitos supera o de nascimentos com um valor global no distrito negativo de mais de 98 pessoas por cada dez mil habitantes.

A nível nacional, o saldo também é negativo, mas de 25,26.

Há concelhos no distrito de Bragança, como o de Freixo de Espada à Cinta onde o número é de 170 ou Vinhais com 151.

A região tinha, em 2018, cerca de 12.500 crianças e jovens com menos de 15 anos e 37.500 habitantes com mais de 65. Entre a população ativa mais de 6,75% estava inscrita nos centros de emprego, um número acima da média nacional de 5,54%.

Quase um quarto da população desta região com mais de 15 anos tem, pelo menos, o ensino secundário, enquanto a média nacional ultrapassa os 30%.

Abaixo nas estatísticas está também o poder de compra da população, que em 2015 (o último ano disponível) se fixou em 78,3 contra os 100,2 do total nacional.

Os 852 euros de ganho mensal dos trabalhadores por conta de outrem nesta região, em 2016, era também inferior aos 1.108 euros da média nacional.

O distrito de Bragança está, no entanto, à frente do todo nacional em indicadores que tem a ver com as disparidades salariais com valores inferiores à média nacional, seja ao nível das profissões, habilitações ou entre sexos.

A taxa de mortalidade infantil é menos de metade (1,38%) da nacional (3,23%) e as estatísticas confirmam também que o distrito de Bragança é dos mais seguros do país em termos de criminalidade.

Lusa