Legislativas 2019

PSD de Rio com pior resultado em legislativas deste século

TIAGO PETINGA

Mas não em número de deputados.

O PSD de Rui Rio obteve no domingo o pior resultado do partido em legislativas dos últimos vinte anos, mas apenas em percentagem, já que conseguiu eleger mais deputados do que Pedro Santana Lopes em 2005.

Quando estão apuradas todas as freguesias do território nacional, os sociais-democratas obtiveram 27,9% dos votos, correspondentes a 77 deputados (e mais de 1,4 milhões de votos) -- ainda faltam atribuir os quatro mandatos da emigração -, e ficou a nove pontos percentuais do PS.

O PSD só por três vezes na sua história teve um resultado inferior em percentagem em eleições para o parlamento nacional: o pior aconteceu em 1976, nas primeiras eleições para a Assembleia da República, quando o partido então liderado pelo fundador Francisco Sá Carneiro alcançou 24,35% dos votos e elegeu 73 deputados (correspondentes a 1,3 milhões de votos), no único sufrágio em que o parlamento elegeu 263 parlamentares.

O segundo pior resultado dos sociais-democratas data de 1975, nas eleições para a Assembleia Constituinte, quando registam 26,39% dos votos. Segue-se a marca de 1983, quando o partido, presidido por Carlos Mota Pinto, se fica pelos 27,24% (75 deputados em 250, 1,5 milhões de votos).

O resultado deste domingo ficará como o quarto pior do PSD em eleições para o parlamento, abaixo de dois alcançados já este século: o de Santana Lopes em 2005 (28,77%, 1,6 milhões de votos e 75 deputados, já com a composição atual de 230 parlamentares) e de Manuela Ferreira Leite em 2009 (29,11%, 1,6 milhões de votos e 81 deputados).

No entanto, em termos de deputados, o PSD de Rio ficará acima do de Santana, e perderá -- se eleger pelo menos dois dos quatro mandatos ainda por atribuir - apenas uma dezena de deputados em relação à atual composição da Assembleia, em que os sociais-democratas têm 89 assentos.

Além disso, em 2005 o PS conquistou a sua primeira e única maioria absoluta e deixou os sociais-democratas a 17 pontos percentuais.

Já perto da meia-noite, Rio assumiu que o PSD não alcançou o principal objetivo -- vencer as eleições -- mas defendeu que não se tratou de "uma grande derrota", explicando o resultado pela conjuntura económica internacional favorável ao Governo, pelo surgimento de novos partidos à direita, mas também pelas sondagens que terão "desmotivado" os eleitores sociais-democratas e pela ação dos críticos internos.

Na sua intervenção, considerou ter enfrentado "uma instabilidade de uma dimensão nunca antes vista na história do PSD e exclusivamente motivada por ambições pessoais".

Rio não foi claro sobre a sua continuidade e eventual recandidatura à liderança do PSD -- pelos estatutos do partido, deverão realizar-se eleições internas em janeiro --, dizendo que será uma decisão tomada "com serenidade e ponderação", nem sobre o que poderá fazer pela estabilidade governativa, confessando não saber o que pretende fazer o PS.

Em termos de círculos eleitorais, os sociais-democratas apenas venceram em cinco dos 20 círculos nacionais: Vila Real, Madeira, Bragança, Leiria e Viseu (e perdendo aqui um deputado, num círculo que este ano passou a eleger menos um parlamentar).

Nas últimas legislativas, a coligação Portugal à Frente (juntou PSD e CDS) tinha ganho em 13 círculos dos 20 círculos, contra os sete do PS.

Em relação a 2015, os sociais-democratas perderam para os socialistas oito círculos: Aveiro (onde perdem dois deputados), Porto (mas, perdendo o círculo, recuperam um deputado), Braga (embora mantendo os mesmos oito deputados), Santarém (também mantendo os mesmos três parlamentares), Lisboa, Coimbra, Viana do Castelo e Guarda, perdendo um deputado em cada um destes círculos.

Relativamente há quatro anos, o PSD recupera um deputado em Faro e outro em Vila Real (ambos à custa do CDS, que deixou de eleger nestes círculos), e perde um deputado em Castelo Branco. Nos Açores, mantém os mesmos três parlamentares.

O partido deixa de estar representado no Alentejo, perdendo em Beja, Évora e Portalegre os deputados únicos que tinha eleito há quatro anos por cada círculo.

Lusa