Livrai-nos da guerra

"Pensávamos que era uma guerra religiosa"

"Pensávamos que era uma guerra religiosa"

O testemunho dos intervenientes na Grande Reportagem Livrai-nos da Guerra

A aveirense Maria da Luz Nabuco escreveu uma carta a Nossa Senhora de Fátima a 11 de maio de 1961. Tinha 13 anos. Sentia já o drama dos primeiros meses do conflito em Angola. Portugal estava chocado com a notícia de massacres de colonos e tinham morrido dois militares de Aveiro nas primeiras operações, um deles deixara mulher e três filhas. "Era um trauma", lembra.


A guerra em África, que acabara de começar, levou-a a escrever a Nossa Senhora: "É do fundo do meu coração que vos venho pedir compaixão por aqueles que sofrem em Angola, que têm sido tão barbaramente tratados só por vosso amor".


Marilú, assim era conhecida e assim assinou a carta, andava num colégio católico e recorda que a visão que tinha do conflito era a de "uma guerra religiosa". Estava na escola a estudar as cruzadas e "era o que pensávamos".


Com o passar dos anos, Maria da Luz teria um olhar crítico: "O meu pai era contra o regime e comecei a perceber pelas conversas dele, chamava nomes ao que se passava na televisão e muitas vezes ia passar umas horas ao sítio da PIDE em Aveiro, chegava arranhado a casa..."


Embora contra a guerra, Marilú casaria com um militar de carreira, tendo vivido com ele em Moçambique durante uma comissão.

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