Livrai-nos da guerra

"Todas as guerras são injustas"

"Todas as guerras são injustas"

O testemunho dos intervenientes na Grande Reportagem Livrai-nos da Guerra.

Aldina Vaza, professora de português e dicionarista, foi madrinha de guerra entre 1962 e 1968, em Sobral de Monte Agraço, na Região Oeste de Lisboa, zona predominantemente rural. "Os pais dos soldados eram praticamente todos analfabetos e era um sofrimento muito grande, os filhos faziam muita falta", recorda.

As madrinhas de guerra eram a ponte entre quem ficava e quem partia para a guerra em África. Na altura, a jovem Aldina percebeu que as madrinhas de guerra eram também um instrumento para elevar a moral das tropas, "fomentando o entusiasmo patriótico dos soldados, mesmo que morressem".

Sem ceder a esta "espécie de cartilha" do regime, manteve ainda assim o contacto com as famílias, pois "o importante era apoiar as pessoas". Quando foi para a universidade, em Lisboa, fez um estudo sobre o calão militar usado na caserna e, por vezes, nas cartas vindas de África.

José Vieira lembra-se desse calão. Esteve no norte de Moçambique entre 1972 a 1974. Correspondia-se com a família em Leiria. Emociona-se quando recorda a devoção a Nossa Senhora de Fátima durante a guerra.

Ainda participa anualmente na peregrinação organizada pela Liga dos Combatentes a Fátima, sendo o porta-estandarte do núcleo da Liga em Leiria. "Em horas difíceis pedíamos a Nossa Senhora que nos protegesse, que nos trouxesse sãos e salvos". Durante a guerra, a família ia regularmente ao santuário rezar por ele. Se escrevesse hoje uma carta à Senhora de Fátima, José diria que "todas as guerras são injustas".