Match Point

Pizzi – o capitão com fibra!

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Luís Miguel Afonso Fernandes é futebolista profissional. Tem 31 anos, nasceu em Bragança, já representou três clubes do futebol espanhol – At. Madrid, Corunha e Espanhol -, é uma das referências de um principais emblemas nacionais. O engraçado, porém, é que ninguém, assim de repente e se não olhar para o título desta crónica, faz ideia a quem nos referimos. Pois é: o cidadão bragantino a quem nos queremos referir é, nem mais nem menos, Pizzi, um dos atuais capitães do Benfica.

Pizzi é Pizzi, porque nos tempos de garoto na sua Bragança, jogava futebol com os amigos equipado com uma camisola do Barcelona, que à época tinha no argentino Juan Antonio Pizzi um dos seus principais goleadores. Ora, já nesse tempo, Luís Miguel tinha jeito para marcar golos e em vez de ficar conhecido por este nome ou por Luís Afonso ou até mesmo Luís Fernandes, ficou mesmo Pizzi. E, assim, o Pizzi de Bragança é hoje figura de primeira linha no futebol em Portugal. E já com um currículo de se lhe tirar o chapéu. Mesmo assim…

HÁ QUEM NÃO GOSTE DELE

O número 21 benfiquista – herdou o “jersey” com esse número de outra grande referência na Luz, Nuno Gomes – nasceu para o futebol no clube das origens, passou por Ribeirão, Sp. Covilhã, Paços de Ferreira, Sporting de Braga, passou pelo futebol espanhol e em 2014/15 “instalou-se” no Estádio da Luz. No Benfica, com paciência e persistência, foi ganhando o seu espaço e hoje, quando se olha para o seu currículo… Mas há quem não goste dele.

Vamos aos números: jogos são 295, golos 82, títulos de campeão nacional 4, mais uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e três Supertaças. E ainda se ufana de ter estado na equipa que ajudou os “colchoneros”, em 2009/10, a conquistar a Liga Europa e Portugal a vencer a Liga das Nações. Mais ter sido o “rei” das assistências nas duas últimas Ligas caseiras.

E mesmo havendo muita gente na nação benfiquista que acha que Pizzi já está a mais – reflexo, provavelmente, de ser muitas vezes o primeiro a ser substituído pelo atual treinador, situação que contribui muitas vezes para que se façam juízos precipitados – vale a pena referir que o médio esteve na origem do empate encarnado em Glasgow (2-2) e no início da reviravolta madeirense, vitória que possibilita ao clube da Luz não ter aumentado a diferença pontual para o líder do campeonato, o Sporting.

TUDO IGUAL NA LIGA… ANTES DA EUROPA

Sim, a Liga continua pintada de verde no cimo da tabela, por força de uma vitória complicada frente ao Moreirense (que tem algumas razões de queixa), mas não houve nenhuma alteração significativa porque, como já se referiu, também o Benfica venceu – e teve de suar as estopinhas, porque o Marítimo, como é hábito, “preferiu” jogar pouco futebol, mas aproveitou bem mais um grande brinde de Otamendi -, o mesmo se passando com Sp. Braga (incompreensível o golo limpo anulado ao Farense!!!) e FC Porto, que venceu a invernia nos Açores e a boa organização do Santa Clara, graças a um golo “maradoniano” de Luiz Díaz.

E a seguir a uma jornada de Liga, pelo menos até ao final do ano, segue-se nova jornada europeia, muito importante para os três clubes lusos. Hoje, no Dragão, frente ao multimilionário Man. City, um ponto é suficiente para a equipa de Sérgio Conceição entrar nos oitavos de final da Champions, o que para clube e treinador nem sequer será novidade. Já na Liga Europa, na quinta-feira (a SIC transmite em direto), uma vitória benfiquista frente aos polacos do Lech Poznan e idêntico desfecho dos bracarenses na viagem a Atenas, frente ao AEK, garante a ambos os emblemas a continuidade na competição. É verdade que fica a faltar uma jornada, mas a adiar a decisão para o último dia é capaz de não ser aconselhável.

ROMAIN GROSJEAN PASSOU PELO INFERNO

Desde a morte de Jules Bianchi, ao volante de um Marussia, no GP do Japão, em 2014, em Suzuka, que a F1 não estava tão perto de nova catástrofe, como aquela que se viveu este domingo no circuito de Manama, no Bahrein, quando Romain Grosjean, ao volante do seu Haas se despistou, foi contra o rail de proteção e o monolugar, que ficou partido em dois, e se incendiou.

Grosjean esteve perto de 30 segundos num inferno de chamas e só não nos deixou por três motivos: o “halo”, aquela coisa feia que os F1 usam desde a morte de Bianchi, foi fundamental; a equipa médica atuou com a mesma rapidez de um carro de corrida; o suíço libertou-se rapidamente do que restava do habitáculo. Agora, Romain Grosjean recupera das queimaduras nas duas mãos, mas em breve voltará a fazer aquilo para que nasceu. Porque, mesmo a mais de 300 quilómetros por hora, ficou provado que a segurança dos F1 é indesmentível.

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