Match Point

Benfica não acerta, rivais não perdoam

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

O que é que se passa com o Benfica? É esta a questão que mais se ouve entre a nação benfiquista e percebem-se as razões. Depois de lhes ter sido prometido que a equipa (resta saber se esta ou aquela que foi prometida a Jorge Jesus) iria arrasar e jogar o triplo, quando em comparação com a fase final da última temporada e já depois de Bruno Lage ter deixado a Luz, os adeptos desconfiam, para mais quando as exibições chegam a roçar a mediocridade – como aconteceu nos segundos 45 minutos nos Açores – e têm à sua distância de quatro pontos o Sporting e já ao seu lado o campeão da época passada, FC Porto.

É verdade que para este jogo os encarnados não puderam contar com uma série de futebolistas, por se encontrarem infetados com a Covid19, mas em boa verdade pode dizer-se que Jardel, Cervi, Seferovic ou Gabriel são titulares indiscutíveis? Não, não são. André Almeida, sim, mas está lesionado há vários meses, e na atualidade o único possuidor desse estatuto é Pizzi que, entretanto, recuperou e não foi utilizado desde o início porque JJ assim o entendeu. Acabou por ser utilizado, mas porque o futebol do Benfica na segunda metade viveu da indefinição que tem marcado outros jogos, nem ele conseguiu contribuir para que a equipa conseguisse os três pontos.

Paralelamente, o treinador justificou com a saída, por lesão, de Gilberto, a menor produção encarnada a partir dessa altura. Desculpa esfarrapada, parece-me, porque o futebolista brasileiro, por muito que tenha evoluído desde que chegou ao Benfica, e evoluiu, é inegável, não tem essa a importância que agora lhe foi conferida. Ou seja: JJ escudou-se numa alteração forçada para defender a perda de mais dois pontos, mas não conseguiu explicar as razões porque a sua equipa passou de dominadora incontestável a dominada – uma realidade que possibilitou ao Santa Clara o precioso golo do seu capitão, Fábio Cardoso.

RIVAIS NÃO PERDOAM

Mesmo não tendo, como parece cada vez mais evidente, a equipa que lhe foi prometida (ou com que sonhou), que integraria nomes como os de Cavani, Lucas Veríssimo (finalmente está para chegar), Gerson ou Bruno Henrique, e não podendo contar frente ao Santa Clara com opções que permitiriam outro tipo de soluções, deve afirmar-se que este Benfica não é poderoso? Claro que não. Fica com menos soluções, isso é indiscutível, tem um banco menos preenchido em qualidade, mas qualidade é coisa que não falta. Só que para Jesus

Ao não conseguir triunfar nos Açores – estava mais pressionado depois dos triunfos de Sporting e FC Porto e como o seu rendimento foi tipo carrossel nem surpreende assim tanto o resultado -, os encarnados não só viram os leões regressar a uma vantagem que já tiveram, quatro pontos, e foram ultrapassados pelos dragões na classificação: têm ambos o mesmo número de pontos, mas por força dos números são os portistas, agora, donos da segunda posição.

É verdade que ainda falta Liga que nunca mais se acaba, mas há frases no futebol português que são constantemente apregoadas. Como aquela que nos diz que “candeia que vai à frente…”. Mesmo aceitando-se que o “estado de graça” em que o Sporting se encontra possa vir a sofrer algum rombo – continua invicto, tem a melhor defesa e o segundo melhor ataque -, o certo é que o Benfica já tem de se preocupar com dois rivais e conhecendo-se aquilo que o passado nos ofereceu, o FC Porto costuma ser um “osso mais duro de roer”. Logo, até porque o Sp. Braga já está a distância considerável, parece evidente que a luta pelos três lugares (os dois primeiros diretos) que dão acesso à Liga dos Campeões está encaminhada. Sim, ainda falta muito jogo, mas lá está: há vantagens que desde que bem preservadas…

ARBITRAGEM LONGE DE MELHORAR…

Num plano digno de reparo continua a arbitragem portuguesa. Vamos com 12 jornadas, os casos sucedem-se e o Conselho de Arbitragem finge que está tudo bem (o mesmo se pode dizer do Conselho de Disciplina, que esteve seis meses para castigar o portista Otávio; só em Portugal…). Mas não está, como se viu, de forma mais evidente, nos jogos de Alvalade e dos Açores.

No confronto mais importante da ronda, entre leões e minhotos, ficaram duas grandes penalidades por marcar a favor da equipa da casa (empurrão de Rolando a Feddal, rasteira de Raul Silva a Tiago Tomás); no confronto de Ponta Delgada – que nem um minuto devia ter tido no domingo, mas Hélder Malheiro julgou ser capaz de um milagre -, no lance em que saíram lesionados Jean Patric e Gilberto, o benfiquista cometeu falta para castigo máximo. E o que fez o VAR? Ficou mudo e quedo! Logo: uma vez que o CA não quer fazer uma reestruturação profunda no que diz respeito a quem desempenha a função, será a ferramenta útil? Se calhar se regressarmos ao antigamente ninguém repara…

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