Match Point

De que lado está a pressão no Dragão?

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Estamos a distantes 21 jornadas do encerramento da presente da Liga, mas quando se aproxima um clássico, como aquele que terá lugar na noite de hoje num Estádio do Dragão, entre o campeão nacional em título e o Benfica, mais uma vez vazio de calor humano porque não pode ser de outra forma, por muita vontade que todos os agentes tenham o contrário em mente, a maneira mais fácil de o caracterizar é dizer que se trata de um jogo a cheirar a título. Este, eventualmente como em épocas não assim tão distantes, tem mesmo essa matriz uma vez que, estando as duas equipas iguais no que diz respeito a pontos, mas a quatro de distância do líder, um Sporting que tem mostrado credenciais de título na época, quem ficar para trás no final (e até podem ficar os dois) fica mais desconfortável relativamente ao futuro, mesmo com muitos jogos ainda por disputar.

A história das discussões entre FC Porto e Benfica vai longa ou não estivéssemos a falar de dois dos clubes mais antigos do espaço desportivo global. A ponto de este já ser o jogo número 246 entre os dois emblemas. Múltiplas histórias resultam desses encontros, algumas com o seu toque de indecoroso, muitas centenas de futebolistas viveram as incidências, treinadores também foram muitos os que prepararam as estratégias, dirigentes de renome ficaram para sempre ligados à história desses jogos e dos 245 jogos já realizados há outros números a reter: o FC Porto venceu, no global, 97, o Benfica 88 e houve 60 empates; já no seu ambiente, o domínio portista ainda é maior: 67 vitórias, 29 empates e apenas 17 desaires. Mais esclarecedor ainda foi aquilo que se passou na última dezena de desafios: os dragões venceram 6, empataram dois e perderam outros dois.

NUNCA HÁ FAVORITOS, MAS…

Face a tanta informação e ainda que as estatísticas não joguem pode concluir-se alguma coisa? O importante é olhar para aquilo que as duas equipas têm feito esta temporada e nesse particular já houve um FC Porto-Benfica, a final da Supertaça Cândido de Oliveira, vencida de forma indiscutível pelos portistas. Esse desfecho faz da equipa de Sérgio Conceição favorita? Aparentemente sim, até porque numa análise mais pormenorizada ao desenvolvimento futebolístico das duas equipas, parece evidente um maior equilíbrio na equipa nortenha, mas não é menos real que os encarnados têm evidenciado algumas melhorias, situação realçada agora por Jorge Jesus.

Porém, como sempre acontece antes destes jogos, todos gostam de colocar em evidência a pressão que cada conjunto será alvo. Sinceramente, mesmo aceitando um ligeiro favoritismo portista, acho que naquele particular a pressão se divide equitativamente pelos dois clubes, uma vez que os seus líderes estão conscientes de que não podem perder. Nem mesmo empatar… face ao avanço de que os leões dispõem. Aliás, bem vistas as coisas, acreditamos que o desfecho que melhor mais alegria levaria a Alvalade seria o empate, mas ao confirmar-se que esse resultado não acontece há oito jogos… E só mais uma nota a merecer destaque: a última vitória do Benfica aconteceu no Dragão e nessa noite a equipa de Bruno Lage embalou para o título. Portanto…

Uma referência, também, ao árbitro do encontro, Luís Godinho. Quando se fala em dirigir clássicos, o primeiro nome que vem à baila é o de Artur Soares Dias, agora que já não há Jorge Sousa. Porém, o alentejano está na linha da frente no que diz respeito à qualidade. É verdade que nunca dirigiu um jogo desta dimensão, mas algum dia tinha de chegar. Nessa medida, se contar com o apoio dos futebolistas, tem tudo a seu favor para sair do Dragão sem ser notado!

LÍDER SPORTING JOGA PRIMEIRO

Esta sexta-feira, por força da realização a meio da semana da Taça da Liga, colocou também o Sporting a jogar, e ainda antes dos principais rivais. Jogo complicado, porque a qualidade do Rio Ave é indesmentível, que deve continuar apesar de ter mudado recentemente de treinador. Porém, há duas situações que têm de ser ponderadas no quotidiano leonino: vem de uma eliminação na Taça de Portugal e tem alguns jogadores influentes infetados com Covid19.

O jogo da Madeira, segunda derrota leonina na época – o Sporting só perdeu até agora dois jogos, é verdade, mas ditou as eliminações da Liga Europa e da Taça de Portugal -, pelo que se passou naqueles 90 minutos, pode muito bem ter deixado marcas. Porque ao não alinhar com a formação tradicional o conjunto ficou mais exposto, mas muito especialmente por ter jogado o suficiente para ter vencido e não conseguiu. Ou seja: se a equipa não se concentrar apenas no jogo com os vilacondenses olhando para o que se passou no Funchal pode ser complicado. Quanto aos jogadores de baixa – Luís Neto, Nuno Mendes e Sporar – há outras soluções no plantel. Será uma boa oportunidade para, por exemplo, Eduardo Quaresma, Antunes e Jovane, por exemplo, mostrarem credenciais.

PORTUGAL COMEÇA BEM O MUNDIAL

Confirmou-se: o desaire da seleção de andebol de Portugal na Islândia, no domingo, foi mesmo um acidente de percurso rumo à fase final do Europeu. Ontem, no Egito, na estreia do selecionado no Mundial, no reencontro com os nórdicos, a equipa nacional regressou a prestações que lhe são conhecidas e venceu, sem mácula, por 25-23, com Quintana, André Gomes, Miguel Martins e Iturriza em plano de grande evidência.

Um desfecho que coloca, claramente, os portugueses na rota da fase seguinte da competição, que tem tudo para ser confirmada já amanhã, quando a equipa liderada por Paulo Jorge Pereira defrontar Marrocos, que ontem venceu a Argélia – argelinos que defrontam a equipa das quinas na segunda-feira. Portanto, confirma-se absolutamente aquilo que já aqui havíamos defendido: esta geração de andebolistas tem tudo para dar grandes alegrias ao País. E caso vença o grupo… O selecionador já garantiu que se lutará por uma medalha. Que assim seja!

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