Match Point

Leão brincou com o fogo… e queimou-se!

JOSE COELHO

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Quando ao minuto 90 do jogo de Moreira de Cónegos, o Sporting, líder incontestado da Liga, vencia, a exemplo dos dois anteriores confrontos, por magro 1-0, esse desfecho casava na perfeição com os conseguidos pelos três clubes que o precedem na tabela: o FC Porto havia vencido (2-1) o Santa Clara com um golo a 30 segundos do final (Toni Martinez), o Benfica não tinha conseguido melhor do que a diferença, e de pontapé de penaltie (Waldschmidt) frente ao Marítimo, enquanto o Sp. Braga obteve a sua vitória, em Faro (2-1) com um golo salvador, fora de horas, de um leão que está emprestado, Sporar.

Porém, desta feita, a equipa de Rúben Amorim não teve a tão famosa estrelinha que o treinador tanto gosta de ostentar, nem um golo salvador de Coates - e porque o Moreirense, verdade seja dita, nunca perdeu de vista a possibilidade de pontuar face ao “qb” leonino, concretizando os seus intentos, num belo golo de Walterson -, e deixou dois pontos pelo caminho que, quem sabe, tanta falta lhe poderão fazer lá mais para diante, pois, contas feitas, faltam agora 9 jornadas e a vantagem foi encurtada pelo FC Porto para oito pontos.

Ou seja: naquele seu estilo muito económico de jogar, e que não é de agora, o leão brincou com o fogo e desta vez queimou-se. Não que se possa dizer que a vantagem, desde que bem gerida, não será suficiente para lhe garantir o título, mas para que isso se torne uma realidade, o Sporting obriga-se a jogar um bocadinho mais. A ser mais dominador, a apostar forte na velocidade e na criatividade, a incomodar mais as defensivas contrárias, a não jogar tanto para trás e para os lados. Sim, esse modo muito próprio de jogar tem dado resultado, mas dois pontos perdidos aqui, mais dois ou três perdidos ali podem deitar tudo por terra.

E uma vez que todos ganharam pontos aos leões e, repete-se, ainda faltam nove jogos, é bem provável que esta tenha sido uma boa lição, especialmente para Rúben Amorim. Não estando em causa o excelente trabalho que tem feito, particularmente no lançamento de futuros grandes valores do espetro leonino, a verdade é que em Moreira de Cónegos acreditou que ele “joguinho” chegava e não chegou. Com muito mérito de Vasco Seabra e dos futebolistas que comanda.

OUTRA VEZ O TEMPO DO FC PORTO

Tenho-o escrito e dito muitas vezes, particularmente desde que foi conhecido o sorteio dos quartos de final da Liga dos Campeões, que quem elimina a Juventus também tem condições de fazer o mesmo frente ao Chelsea, muito embora deva reconhecer que enquanto equipa, não no que diz respeito à qualidade individual, pois basta ter Cristiano Ronaldo, os ingleses estão num patamar superior, mesmo depois de terem sido surpreendidos por números impensáveis (2-5) pelo aflito WBA na última ronda da Premier League. Ou seja: este é o caminho dos dragões na mais importante competição de clubes; o caminho de que pode continuar a criar a ilusão de poder seguir em frente.

Sem valer a pena pormenorizar muito o potencial das suas equipas – é evidente que do lado londrino a cotação é muito mais elevada, mas isso nem sempre se reflete no relvado… - de uma coisa tenho a certeza: o FC Porto é clube destinado a grandes cometimentos nos confrontos de grau de dificuldade mais elevado, quase ficando a convicção de que os futebolistas se transcendem quando do outro lado estão rivais tido por mais poderosos. É evidente que no plano teórico, o favoritismo está todo do lado contrário, mas é com isso que os dragões gostam de se confrontar e muitas vezes contrariam as previsões.

Amanhã, em casa emprestada, no Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha (onde regressa na semana que vem), cidade que já viu os portistas conquistar a extinta Taça UEFA, num jogo épico frente aos escoceses do Celtic, os dragões jogam uma das mais importantes cartadas da sua história. E jogando como sabem e olhando para o rival sem receios, têm tudo para abrir caminho à consolidação de uma vontade: chegar, depois, às meias-finais da Champions. A convicção não será generalizada, mas estou do lado daqueles que nisso acreditam.

FONSECA E OUTROS PORTUGUESES NA LIGA EUROPA

Esta também é semana do regresso da Liga Europa. Já não há equipas portuguesas em competição – Benfica e Sp. Braga caíram nos 16 avos de final e os seus adversários ainda continuam a lutar pelo título, Arsenal e Roma, respetivamente – e da armada lusa de treinadores ainda resta Paulo Fonseca, pois na ronda anterior foram afastados José Mourinho (Tottenham), Pedro Martins (Olympiakos) e Luís Castro (Shakhtar), assim como alguns futebolistas, pois a força do futebol luso continua firme no estrangeiro.

Portanto, Paulo Fonseca e a Roma vão medir forças contra a mais famosa equipa dos Países Baixos, o Ajax, ao passo que em campo vai estar em ação Cédric (pelo Arsenal frente ao Slavia Praga), enquanto no Granada-Man. United é quase certo que atuarão Rui Silva, Domingos Duarte e, possivelmente, Domingos Quina, pelos espanhóis, mais Bruno Fernandes, pelo emblema britânico. O que quer dizer, tão só, que não tendo a dimensão da Champions, a segunda mais importante prova de clubes europeia continua com a marca de qualidade dos portugueses.

MIGUEL OLIVEIRA SEM A COLABORAÇÃO DA MOTA

O início de corrida do falcão português na segunda prova do Mundial de Moto GP, novamente no circuito de Losail, no Catar, foi qualquer coisa de arrebatador, uma vez que Miguel Oliveira voou da 12.ª posição até à 3.ª e parecia que ia regressar a casa com a sua KTM no auge. Infelizmente, foi sol de pouca dura, pois a moto passou por alguns problemas complicados e o português foi-se afundando na classificação terminando em 15.º, resultado pior do que o anterior, pois na prova de abertura da competição terminou em 12.º.

Desta vez a corrida teve Fabio Quartararo como vencedor, que teve um desempenho final notável, desalojando da primeira posição Johann Zarco (repetiu o segundo lugar da semana passada) e Jorge Martín, que havia conseguido a “pole position” e liderou a maior parte das 22 voltas. Zarco é agora o líder do Mundial – tem 40 pontos, mais quatro do que Quartararo e Viñales, que venceu a prova de abertura – e é nessa condição que chega a Portimão, onde no dia 18, sem público, tem lugar a terceira etapa da competição e onde se espera que Miguel Oliveira possa chegar a “performances” semelhantes às da temporada passada, onde foi incontestável vencedor. Mas para que isso se verifique, dizem especialistas e o piloto, que a KTM tem de melhorar imenso. Espera-se que sim.

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