Match Point

Um domingo capital no caminho do Sporting

JOSE COELHO

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Quem julgava que a Liga portuguesa estava resolvida, enganou-se, mas quem sempre admitiu que com tantos pontos em discussão muito coisa podia (e pode) acontecer, nunca esteve tão certo. E mesmo que o Sporting tivesse somado os três pontos na viagem a Moreira de Cónegas, com 30 então por discutir, a equação continuava como sempre esteve: por resolver. Mas, agora que os leões deixaram de ter 10, mas tão só 8 de vantagem para o FC Porto, seu adversário mais próximo, mudou assim tanta coisa?

A única resposta que tem cabimento é não. Porque o líder – e será bom realçar que vamos na jornada número 25 e o grupo liderado por Rúben Amorim soma 20 vitórias e 5 empates… - continua apenas a depender de si para poder chegar onde deseja, ao título, e mesmo não o tendo garantido, porque matematicamente isso é impossível, manteve o estatuto que lhe desde há algum tempo lhe atribuímos: passou de candidato a principal favorito. Mas para o manter, mesmo com vantagem tão confortável, obriga-se a qualquer mais do que produziu, particularmente, nas últimas quatro rondas.

Nesse sentido, a questão que se coloca – o balde de água gelada que caiu sobre a cabeça do leão no terreno do Moreirense teve o condão de ter feito soar, parece, o alarme, pois perder dois pontos daquela forma dói sempre – é como se encontrará o líder na receção a um reanimado Famalicão, equipa transfigurada com a chegada do terceiro técnico da época, Ivo Vieira, e que somou sete pontos nos últimos três jogos. Por norma, e os resultados provam-no, o Sporting reagiu sempre com vitórias aos anteriores empates, o mais fácil será realçar essa situação, mas este opositor melhorou imenso. E face ao último desempenho, se quer continuar de sorriso aberto, os leões devem estar desconfiados com este domingo, diria capital, no seu caminho.

Já os principais rivais, também não podem estar assim tão descansados – talvez o Sp. Braga possa estar um pouco mais tranquilo, porque joga em casa e o Belenenses SAD não vive uma boa fase -, pois o FC Porto vai a Tondela, na ressaca da Champions, onde mora uma equipa tranquila e que por norma consegue bons desempenhos e resultados no seu terreno – em 12 jogos em casa soma 7 vitórias e 2 empates -, enquanto o Benfica viaja até Paços de Ferreira. É verdade que os encarnados se dão bem na Capital do Móvel, pois em 21 deslocações na Liga triunfaram em 14, mas, até prova em contrário, continuar a morar ali a equipa sensação da competição. E assim sendo, até porque jogam primeiro do que o líder, há uma pressão suplementar para quem continua a olhar para o lugar da liderança.

VIDA DIFÍCIL PARA O CAMPEÃO NACIONAL

Nada está perdido, mas deve reconhecer-se que a continuidade do FC Porto na Liga dos Campeões está presa por um fio, depois de ter perdido o primeiro jogo dos quartos de final frente ao Chelsea. Derrota (0-2) pelos números, mas muito particularmente porque a exibição justificava outro crédito, até porque no que ao futebol praticado disse respeito o campeão português não foi em nada inferior ao rival, como havia acontecido frente à Juventus.

Desta vez, porém, pesaram imenso as ausências de Sérgio Oliveira e de Taremi, e dois erros individuais ditaram o resultado verificado, confirmando-se uma máxima do futebol, especialmente nesta competição: o peso dos milhões de euros é determinante na formação dos plantéis, percebendo-se perfeitamente porque é que uns custam mais do que outros, embora deva considerar-se que sendo Corona um dos futebolistas mais destacadas do grupo, a falha que teve mais parecia de um principiante. A sua qualidade em nada fica abalada, mas a este nível.

Agora, sejamos práticos: só um FC Porto altamente eficaz e com o seu habitual espírito competitivo poderá dar a volta a uma situação bastante incómoda. É evidente que os previsíveis regressos dos futebolistas citados, aumenta (e alimenta) a crença portista, mas se o Chelsea já era considerado favorito antes do primeiro jogo, a sua condição é agora ainda mais confortável, também porque o fator casa lhe é favorável. Porém, habituados a confrontos de alta concentração, que ninguém descarte a equipa de Sérgio Conceição. Há 90 minutos para jogar, a vida portista está ainda mais difícil, mas Sevilha que se prepare para receber, novamente, uma equipa que ainda vê uma luz lá bem ao fundo do túnel.

EUROPA DE FONSECA E DE FERNANDES

Há dois portugueses em alta na Liga Europa, perfilando-se as equipas que representam como fortes candidatas à conquista da competição, mas com essa decisão a acontecer já na próxima eliminatória e não na final, a 26 de maio, na cidade polaca de Gdansk – o jogo decisivo da competição passada devia ter acontecido ali, mas a pandemia impediu-o. Referimo-nos à Roma, liderada por Paulo Fonseca, que venceu o Ajax, em Amesterdão (2-1) e ao Man. United, indiscutível em Granada (2-0), com Bruno Fernandes a obter o segundo golo, de penalty – foi o 24.º golo do antigo capitão do Sporting, o terceiro nesta prova.

O curioso da questão é que, confirmando-se na quinta-feira as preciosas vantagens conseguidas na noite de ontem, as duas formações serão rivais nas meias-finais, pois foi essa a decisão do último sorteio, realidade que deixa aberto o caminho de Gdansk a Villarreal - foi a Zagreb bater a sensação da ronda anterior, pois o Dínamo eliminou o Tottenham, de José Mourinho, com um golo solitário de Gerard Moreno, de grande penalidade -, mas também a outra das boas sensações da prova, os checos do Slavia Praga, que ao empatarem a um golo no terreno do Arsenal (Cédric foi titular… mais uma vez a defesa-esquerdo) têm a presença nas “meias” bem encaminhada.

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