Match Point

O tudo ou nada de um dragão corajoso!

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Não será o jogo mais importante da longa história de vida do FC Porto, mas esta segunda mão dos quartos de final da Champions pode (e como seria bom se assim acontecesse) ter direito a uma página brilhante no livro de grandes feitos do clube. As coisas não estão fáceis, pois a tarefa é gigantesca, e recuperar dois golos de desvantagem frente a uma equipa como o Chelsea obriga a trabalho redobrado, mas de recuperações estão inundadas as grandes competições, por arte e engenho de grandes clubes, como é o caso do campeão nacional.

Sevilha, a exemplo da última semana, recebe o jogo que tudo decide e, mesmo com um “score” bastante desfavorável, tratando-se do FC Porto, uma equipa corajosa e com um jeito especial para desafios espinhosos, é de esperar tudo. Até porque, tendo o primeiro confronto por comparação, a convicção existente é a de que os portistas, mesmo sem exageros, jogarão de um modo, diria, mais atrevido. Até porque se deve assistir aos regressos de Sérgio Oliveira e Taremi, e não seria assim tão grande surpresa ver na equipa titular um homem em excelente momento de forma: Toni Martínez, autor do golo que valeu o triunfo frente ao Santa Clara e que voltou a marcar, com muita classe, em Tondela.

Confortável com o resultado é de esperar que o Chelsea nem precise de arriscar assim tanto, realidade que pode levar o FC Porto a “perder a cabeça”, mas pelas indicações já passadas por Sérgio Conceição, os dragões vão querer atacar, mas nunca descurarão o setor defensivo. Marcar é fundamental, mas não sofrer ainda mais, e como os portistas, normalmente, são equilibrados… é de esperar tudo. Até mesmo a “remontada”.

SPORTING EM CONFLITO COM A PRESSÃO

Os indicadores deixados pelo Sporting na sequência do empate em Moreira de Cónegos, particularmente o discurso de Rúben Amorim, deixavam perceber que a pressão exercida sobre a equipa após ter perdido dois pontos podia refletir-se no confronto com o Famalicão – aliás, deixamos essa reflexão no nosso último texto. A verdade é que os leões perderam mais dois pontos frente a um conjunto famalicense com desempenho meritório em Alvalade, muito por mérito do seu mais recente treinador, Ivo Vieira.

Em sete dias, pois, o líder da Liga perdeu quatro pontos, mantém uma vantagem confortável, continua a ser o principal favorito à conquista da competição, soma 20 vitórias e seis empates, mas já só dispõe de seis pontos de vantagem sobre o FC Porto e nove mais do que o Benfica, quando ainda faltam oito jogos para que a prova termine. O que quer dizer que, mesmo sabendo-se que os dois principais rivais ainda têm de se encontrar e que não podem vencer ambos, ainda muita água correrá sob as pontes.

Até porque já não restam grandes dúvidas de que o leão entrou em conflito com a pressão e as dinâmicas não são tão fluídas como já foram. Motivadas por alterações no esquema? Seguramente. Também pelo abaixamento de forma de alguns futebolistas? Provavelmente. O que obrigará, quem sabe, Rúben Amorim a ter de mexer. Com ou sem Paulinho, com ou sem Porro ou qualquer outro futebolista? Mais tarde se verá. Uma questão parece indiscutível: enquanto dragões e encarnados parecem estar, no mínimo, mentalmente mais frescos, por Alvalade a pressão vai fazendo o seu rombo. E sexta-feira os leões vão a casa do muito aflito Farense

MARTINS BICAMPEÃO, ABEL DERROTADO

Só não foi um fim de semana perfeito para os treinadores portugueses porque a final da Supertaça brasileira não correu de feição ao Palmeiras, de Abel Ferreira, mas Pedro Martins, na Grécia, pelo segundo ano consecutivo, levou o Olympiakos à conquista do título, conseguido a 7 jornadas do final, batendo o recorde de outro português, Marco Silva, que foi campeão a 6 rondas do final, confirmando-se a grande superioridade da equipa do Pireu e a ideia de que no final os números serão ainda mais esmagadores.

No presente, com os tais 7 jogos por realizar, a equipa grega soma 24 vitórias, 4 empates e 1 derrota, ao passo que na época transata somou 28 vitórias, 7 empates e apenas 1 desaire. Refira-se que o Olympiakos está a um passo da final da Taça (empatou a um golo na primeira mão da meia-final com o PAS Giannina) e de conquistar a dobradinha, e que nesta conquista Pedro Martins não está sozinho. Além dos seus adjuntos - Rui Pedro, António Henriques, Luís Lobo e Nélson Oliveira -, também há quatro futebolistas campeões: Rúben Semedo, Tiago Silva, Bruma e Pêpê, atualmente no Famalicão.

No Brasil, frente ao Flamengo, na discussão por penalties (2-2 após o tempo regulamentar), o Palmeiras perdeu a oportunidade de conquistar a Supertaça do país, jogo em que Abel Ferreira acabou por ser expulso no decurso do primeiro tempo. O treinador perdeu a possibilidade de mais uma conquista, mas está muito bem encaminhado para encaixar mais um troféu, a Supertaça da América do Sul, a meio da semana (madrugada de quinta-feira), uma vez que no jogo da primeira mão, na Argentina, frente ao Defensor y Justicia, o “verdão” venceu, por 2-1. Portanto, depois da Libertadores e da Copa do Brasil, o terceiro troféu do técnico luso não podia estar mais perto.

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