Match Point

Leão “sem” treinador em viagem perigosa

JOSÉ COELHO

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Com Rúben Amorim fora do banco, por ter sido expulso pela quarta vez esta temporada, e sem Feddal, que não sendo figura capital tem sido uma escolha recorrente do técnico. É com estas baixas, importantíssima a do treinador, que o Sporting, líder da Liga, mas com uma vantagem bastante inferior aquela de que dispunha há duas jornadas (passou de 10 para 6 pontos de avanço sobre o FC Porto), se desloca a Faro na noite desta sexta-feira, para defrontar um conjunto algarvio que joga futebol de qualidade… mas que está com “a corda na garganta” no fundo da classificação. Assim, quem entender que esta não será uma perigosa viagem do leão, passará um pouco ao lado da realidade.

Por tradição, as viagens dos leões ao terreno de uma das suas mais antigas filiais – essa evidência não é garante de que as relações sejam hoje mais estreitas do que já foram no passado… - encerra sempre muitas dificuldades, aumentadas para este jogo por uma certa quebra de produtividade do emblema que desde há muito lidera a competição, mas que a oito rondas do final parece estar a conviver muito mal com a pressão, como o provaram os recentes dois empates e as próprias exibições, mas muito particularmente pela necessidade de pontuar do grupo orientado por Jorge Costa, treinador que chegou a meio da época, mas muito a tempo de dar uma outra cara à forma de jogar dos algarvios, onde a principal figura é um ex-leão: Ryan Gauld. Hoje, era bem capaz de ter lugar em Alvalade

É neste labirinto de intenções, que o jogo se desenrolará, onde a ausência Rúben Amorim na orientação direta da equipa é tão determinante como não ter disponível um dos principais elementos, que não é o que se passa – a ausência de Feddal não será semelhante à do técnico, pois soluções para o setor não faltam -, pese embora a relação de trabalho, indiscutível, que o técnico tem como a sua estrutura, o que o obriga, como o próprio já referiu, a um maior controlo das suas emoções. Porque não é só ele o mais prejudicado…

É a olhar para a vitória que as duas equipas vão abordar o jogo. Num outro tempo, mais recente, o Sporting seria indiscutivelmente favorito, mas agora, caso sejam colocadas algumas reticências, ninguém pode admirar-se, ficando no ar a ideia de que, a exemplo do que se passou com o confronto anterior (Famalicão), que a força mental precisa de um suplemento. Que caso não surja em Faro… Daí a perigosidade desta deslocação.

SÉRGIO “CENTENÁRIO” NA RESSACA DA CHAMPIONS

Ficou um certo amargo de boca com o afastamento do FC Porto na Liga dos Campeões, particularmente por dois motivos: no somatório dos dois jogos, o campeão nacional provou, no plano estratégico, estar ao nível dos emblemas melhor organizados, mesmo não tendo disponibilidade financeira para ter futebolistas de patamares superiores, realidade que só valoriza o trabalho do técnico e a qualidade dos intervenientes; no segundo jogo em Sevilha, ficou a convicção de que terá faltado um pouco mais de atrevimento da equipa portista e que aquela bicicleta perfeita de Taremi merecia continuidade na competição – Real Madrid-Chelsea e PSG-Manchester City são os jogos das meias-finais, o que quer dizer que Danilo ou Rúben Dias, João Cancelo e Bernardo Silva estarão na final.

Terminada a participação na prova, a todos os níveis brilhante, também no plano financeiro, com o encaixe de 80 milhões de euros, que em muito contribuirão para o equilíbrio das depauperadas contas portistas, segue-se a Liga, onde os dragões continuam com grande determinação na conquista do título, até porque o Sporting parece estar a vacilar. E com oito jogos pela frente e apenas seis pontos de atraso… É também mais um tempo de glória para Sérgio Conceição, que este domingo, na Choupana, frente ao Nacional, pode somar a 100.ª vitória pelo FC Porto e ficar no patamar de relevo onde já estão José Maria Pedroto, Artur Jorge ou José Mourinho.

FONSECA, FERNANDES E CÉDRIC EUROPEUS

Uma coisa é certa: depois dos desfechos da segunda mão dos quartos de final da Liga Europa, pelo menos um português estará, no mês que vem (dia 26), no jogo decisivo, em Gdansk (Polónia), assim o ditou o sorteio das meias-finais, com a realização dos jogos Man. United (Bruno Fernandes)-Roma (Paulo Fonseca) e Villarreal-Arsenal (Cédric), mas pode muito bem acontecer que seja uma dupla, perante a possibilidade de os londrinos, que deixaram pelo caminho o Benfica, poderem chegar ao jogo decisivo.

Sem surpresa, prevaleceu, nos jogos desta quinta-feira, exceção, apenas, para o confronto de Praga – o Slavia havia empatado em Londres e agora, o Arsenal não fez por menos e goleou (4-0) -, o que havia acontecido na semana passada, muito embora a Roma não tenha ido além de um empate, depois de ter passado por algumas dificuldades, que chegaram a fazer perigar o apuramento. Desse jogo resulta, igualmente, uma afirmação de Paulo Fonseca, que deixa incerto o seu futuro. O que não é de estranhar, pois a prestação romana na Série A tem estado muito aquém do previsto.

Referência, ainda, para mais um resultado negativo de Abel Ferreira, na liderança do Palmeiras. Depois de recentemente ter perdido a Supertaça do Brasil, na decisão por penalties, para o Flamengo, aconteceu precisamente a mesma situação na final, a dois jogos, da Supertaça da América do Sul, frente aos argentinos do Defensa y Justicia. Dois desfechos que, tratando-se do futebol brasileiro, vão deixar marcas, mas que em nada abalam, segundo as suas declarações, o ânimo do técnico.

FIM DE SEMANA DE TELMA E DO FALCÃO

Três dias, de hoje até domingo, com Portugal a dominar o panorama desportivo internacional em duas modalidades, judo, com a realização dos Campeonatos da Europa, no Altice Arena, em Lisboa, e motociclismo, com a terceira ronda dos respetivos mundiais, no autódromo de Portimão, com especial destaque para a Moto GP, duas competições onde pontificam dois nomes portugueses: Telma Monteiro, com a 15.ª presença num Europeu, e Miguel Oliveira, candidato a poder conquistar o título mundial na especialidade dominante e um dos favoritos ao triunfo na prova algarvia.

A judoca, aos 35 anos, é uma das mais brilhantes desportistas portuguesas de sempre, medalhada em todas as principais competições – 1 bronze olímpico, 4 pratas e um bronze em Mundiais, 5 ouros, 2 pratas, 7 bronzes individuais e 1 prata por equipas em Europeus, mais 1 ouro, 1 prata e 1 bronze nos Jogos Europeus – e pode em Lisboa tornar-se recordista de pódios. Mas mesmo que isso não se verifique, pelo que está previsto, será alvo de significativa e merecida homenagem por parte das altas individualidades do País, a começar pelo Presidente da República. De referir, também, que há mais três atletas nacionais candidatos a medalhas: Joana Ramos, a luso-brasileira Rochele Nunes e o campeão mundial Jorge Fonseca.

No Algarve, onde foi dominador na época passada – vitória, “pole position” e volta mais rápida -, Miguel Oliveira procura regressar aos bons resultados, depois de um início de temporada muito conturbado no Catar, onde a sua KTM evidenciou muitas dificuldades. No regresso à Europa, piloto e marca acreditam que o rendimento individual, e global, entrarão na normalidade, e a competição portuguesa é entendida como o ponto de partida para tal. Apontado como um dos favoritos a repetir o triunfo do ano passado – o campeão mundial, Joan Mir, já expressou essa ideia -, o falcão também está convencido de que poderá voltar a voar alto no seu ambiente. À distância, pois a prova não terá público, apoio de um País inteiro não lhe faltará.

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