Match Point

Um valente tropeção a vermelho

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Parecia encaminhado para um final de época de acordo com as suas tradições, depois do muito que sofreu durante alguns meses, mas um galo atrevido e personalizado estragou as contas ao Benfica. Contas estragadas e que deixam a equipa orientada por Jorge Jesus numa situação outra vez incómoda, pois sendo verdade que no que ao título diz respeito as coisas não estavam de feição, a luta pelo segundo lugar – o dos milhões na Champions – estava à distância de três pontos, que eram os que o separava do FC Porto, e passaram a ser seis. O que quer dizer, tão só, que os encarnados já não dependem deles como dependiam, depois de um valente tropeção a vermelho.

Indiscutivelmente, o Benfica vivia um ótimo momento: bons desempenhos, coletiva e individualmente, seis vitórias consecutivas na Liga, Helton Leite com a baliza fechada a sete chaves, Seferovic com os pés a escaldar de tantos golos conseguidos, Lucas Veríssimo e Otamendi a liderarem o setor mais recuado, Rafa a comandar nos ataques às redes adversárias. Até que surgiu no caminho benfiquista o Gil Vicente. Tranquilamente, jogando um futebol concentrado e dificultando a tarefa ao rival, desde cedo provou no ambiente órfão da Luz que não estava ali para ser convidado de uma degola. E como o Benfica nunca se encontrou, estragou-lhe as contas e regressou a Barcelos com três pontos muito saborosos.

E agora? Com o Sp. Braga a morder-lhe, outra vez, os calcanhares (só não têm os mesmos pontos porque os minhotos não foram além de um nulo em Vila do Conde), a grande preocupação benfiquista, para já, porque com sete jornadas para cumprir ainda pode acontecer muita reviravolta - Sporting e FC Porto, ainda que pareçam os mais aptos na conquista das duas primeiras posições, nesta jornada… foi um ai jesus -, é manter o terceiro lugar. Que também dá acesso à Liga dos Campeões, mas é mais custoso. Basta ver o que aconteceu esta temporada caindo por terra logo a abrir um dos grandes objetivos… E nada disto se previa não fora os dois grandes galos na cabeça de uma águia que parecia ser senhorial!

JOSÉ MOURINHO E A SUPERLIGA EUROPEIA

O mais renomado treinador português de sempre, vencedor de duas Ligas dos Campeões e de campeonatos em quatro países, só para falar dessas competições – Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha -, José Mourinho, já não é treinador do Tottenham, clube que liderou desde 20 de novembro de 2019 até à manhã desta segunda-feira, tendo-lhe sido cerceada a possibilidade de conquistar mais um título, a Taça da Liga, uma vez que o jogo decisivo tem lugar domingo, 25 de abril, em Wembley, entre “spurs” e Manchester City. José Mourinho dirigiu os londrinos em 86 jogos, somando 44 vitórias, 19 empates e 23 derrotas.

Segundo rezam as crónicas, o “special one” deixa o Tottenham depois de uma conversa com o “patrão” do emblema, em que lhe reafirmou ser contra a entrada do clube na famosa Superliga Europeia, entretanto criada no fim de semana e da qual o clube de Londres é um dos fundadores. A juntar a esta situação e a alguns resultados menos satisfatórios, a ligação chegou ao fim, apesar do treinador ter mais dois anos de contrato. Quanto ao futuro pouco se sabe. Embora tenha ganho muitos títulos em Inglaterra, os últimos tempos não lhe têm corrido de feição, mas que é que não quererá tê-lo como técnico? Uma seleção, por exemplo…

E a propósito da Superliga Europeia, fundada por 12 dos mais ricos clubes do Mundo, entre eles Real Madrid, Barcelona, Milan, Juventus, Manchester United ou Liverpool, agremiação à qual emblemas como Bayern, Dortmund, PSG e FC Porto disseram não, e muitas das grandes figuras do futebol também seguiram o mesmo caminho, como Jurgen Klopp, Hansi Flick ou Bruno Fernandes, também afino pelo mesmo diapasão. Espero mesmo que esta ideia não atinja a maioridade, pois a acontecer… o fosso entre os mais ricos e aqueles com menos posses será ainda maior. E aquilo que mais desejo, pois há muita coisa a descascar nesta fase, é que os futebolistas tenham um papel fundamental no assunto. Privar aqueles que integram os clubes fundadores de representarem as suas seleções é algo inimaginável!

TELMA MONTEIRO E MAIS TRÊS NO PÓDIO

Foi um excelente fim de semana para o judo nacional, como resultado da presença do selecionado nos Campeonatos da Europa. Telma Monteiro, como desde sempre se admitiu, conquistou mais uma medalha de ouro para juntar à sua muito ornamentada coleção – 15 em 15 Europeus – e surge como favorita em -57 kg. nos Jogos Olímpicos, caso estes se realizem, e foi galardoada pelo governo com a Medalha de Mérito Desportivo. A juntar ao feito, mais três atletas lusos estiveram em destaque, conquistado cada um a medalha de bronze. Foram eles Bárbara Timo, Rochele Nunes e João Crisóstomo.

SARA MOREIRA COM MÍNIMOS NA MARATONA

Outra atleta em grande destaque neste domingo foi a sportinguista Sara Moreira, de 35 anos, que na cidade holandesa de Twente – a prova era para ter sido disputada em Hamburgo, mas foi transferida devido à pandemia -, ao conseguir o segundo lugar na respetiva maratona, com 2.26,42 horas, garantiu o mínimo para os Jogos de Tóquio, competição onde participará pela quarta vez consecutiva. A atleta lusa foi apenas batida pela alemã Katharina Steinruck, que gastou menos 43 segundos, e passa a ser a terceira maratonista com mínimos, depois de Carla Salomé Rocha e Sara Catarina Ribeiro. Nesta altura já estão apurados 62 atletas para os JO.

MIGUEL OLIVEIRA AZARADO EM PORTIMÃO

No ano passado foi a felicidade, com o domínio completo de treinos e corrida; agora, o azar bateu-lhe à porta em dose dupla, pois caiu no último treino e na prova disputada no Autódromo de Portimão. O que quer dizer que estes não foram os melhores três dias da carreira de Miguel Oliveira, piloto português de Moto GP, que, mesmo assim, porque não é de se dar por vencido, após a queda na corrida regressou à pista e levou a sua KTM até ao fim, ainda que não tenha conseguido melhor do que a última posição (16.ª), no dia em que voltou ao ambiente que domina há muito tempo o espanhol Marc Márquez. Mas as quedas não foram um exclusivo do português, pois o “rookie” Jorge Martín nem sequer competiu e Joan Zarco, que liderava o Mundial, desistiu depois de ter “beijado” o asfalto. Em grande esteve o francês Fabio Quartararo: venceu a corrida e assumiu a liderança do campeonato, com 61 pontos. Joan Mir, o campeão em título, ficou em terceiro na corrida (o segundo foi Francesco Bagnaia, posição que ocupa na tabela geral, com 46 pontos) e ocupa o 5.º lugar na tabela mundial.

MAX VERSTAPPEN É O RIVAL DE HAMILTON

O próximo GP de F1 será, a 2 de maio, pelo segundo ano consecutivo, em Portugal, na pista que agora recebeu agora as competições de motociclismo e depois do que se passou em Itália, no Grande Prémio da Emilia Romagna, no traçado de Imola é certo que Max Verstappen (Red Bull), que venceu a prova, é o grande rival do multicampeão Lewis Hamilton (obteve a 99.ª “pole position), sinal de que, ao contrário das últimas épocas, pode haver discussão até final do campeonato. Hamilton lidera o mundial, após duas corridas, com 44 pontos, mais do que o jovem holandês, com o terceiro lugar do pódio a ser ocupado por uma das grandes sensações da modalidade: o inglês Lando Norris, da McLaren. Já a Ferrari obteve os 4.º e 5.º lugares na corrida, com Leclerc a superiorizar-se a Sainz.

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