Match Point

Estugarda, Roterdão, Munique – vamos Portugal!

Opinião

HUGO DELGADO

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Sempre que penso em Alemanha, no que ao futebol diz respeito e não só, a primeira ideia que entra no meu circuito é esta: são 11 contra 11 e no fim ganham os alemães. Eventualmente mais otimista do que o habitual, desta vez quando já se contam as horas para o pontapé de saída do jogo de Munique - uma vitória lusa garante desde já a continuidade para lá da fase de grupos numa posição mais vantajosa – não sei se será bem assim, mesmo aceitando que depois do desaire com os franceses, os germânicos necessitam mesmo do triunfo.

E não estou tão seguro de que no fim vencerão os alemães, porque no meu alargado baú, tenho recordações de todo o tipo quando Portugal volta a enfrentar uma das suas “bestas negras”: em 18 jogos só acontecerão 3 vitórias, 5 empates e 19 derrotas. Na capital da Baviera vivi a minha primeira experiência no estrangeiro, já lá vão quase 40 anos: a 4 de novembro de 1981 estive no antigo Estádio Olímpico, num Bayern-Benfica (4-1). À Marienplatz, sala de visitas da cidade, regressei numa jornada brilhante do Chelsea de José Mourinho, na Liga dos Campeões, frente ao Bayern, e no Mundial-2006, quando o Portugal de Scolari obteve o quarto lugar, sem esquecer Marienfeld (quartel-general da seleção nessa competição) e Bielfeld, cidade onde residi quase um mês. Portanto, só boas recordações…

GOLÃO DE CARLOS MANUEL, HAT-TRICK DE CONCEIÇÃO

Mas também as tenho no plano puramente desportivo. Impossível esquecer o golaço de Carlos Manuel, em Estugarda (16 de outubro de 1985), que colocou a seleção na rota Mundial do México e da “revolução” de Saltillo, em 1986, ou aquele fantástico 3-0 de Roterdão, na fase de grupos do Euro-2000, com o hat-trick de Sérgio Conceição, frente a uma equipa recheada de nomes fantásticos do futebol germânico: Kahn, Mehmet Scholl, Ballack, Jancker ou Matthaus. O pior, porém, é que nos últimos três jogos com os “panzers” aconteceram três desaires: 2-3, nos quartos de final do Euro-2008, em Basileia; 0-1, na fase de grupos do Euro-2012, em Lviv; 0-4, com Pepe expulso aos 37 minutos, em S. Salvador, no Mundial-2014. Dessa tarde negra do futebol luso restam na equipa de Joachim Low apenas quatro futebolistas: Hummels, Kroos, Thomas Muller e Ginter. E os três primeiros foram chamados agora… para equilibrar uma equipa muito atrevida.

Mesmo assim, mesmo sem ter ficado extasiado com o desempenho de Portugal frente aos húngaros (vitória indiscutível, por números bons… depois de 80 minutos a sofrer) e percebendo que para os alemães é fundamental vencer depois da derrota com os franceses, acredito que é possível à equipa de Fernando Santos inverter a série de três derrotas nos últimos 13 anos. Sem deixar de entender que será bem mais complicado jogar com uma Alemanha ferida do que frente a uma França que se apresenta na prova como a principal favorita a levantar o troféu em Wembley. Para isso, vamos lá Portugal concretizar o percurso Estugarda-Roterdão-Munique. Pontuar é fundamental e com o País a empurrar, por que não acreditar num sábado intenso e cheio de alegria? Até porque há na equipa nacional matéria prima suficiente e com qualidade para colocar os germânicos em estado de alerta.

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