Match Point

Rumo aos “oitavos”… como em França!

Opinião

HUGO DELGADO

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Verdadeiramente, o que custa é ver Portugal agarrado à máquina de calcular, a fazer contas para seguir em frente no Campeonato da Europa, título por si conquistado, vai para cinco anos, em Paris. É que se não houvesse talento no grupo de futebolistas que enverga esta camisola tão linda até se entendia. Só que Portugal não é, desde há muito – para aí desde a década de 90 do século passado – a Finlândia, a Áustria ou a Turquia, por exemplo. Por isso, desde o Euro-2000 tem chegado, consecutivamente, a todas as fases finais de Europeus e Mundiais, esteve na Taça das Confederações, e venceu o França-2016 e a primeira edição da Liga das Nações.

O problema fundamental é que, com muita mágoa o escrevo, é que esta seleção, como se viu agora frente à Alemanha, tem dificuldade em transformar num todo a soma das individualidades e depois parece uma equipa menor frente a um adversário que, pese embora o histórico, devia (deve) ser do mesmo patamar. Por isso, porque o desempenho foi confrangedor – e deixar de criticar as opções de Fernando Santos só porque foi o homem do leme nas duas maiores conquistas da história do futebol português é, do meu ponto de vista, subserviência -, Portugal está a fazer contas.

As contas são fáceis de fazer: vencendo a França na noite desta quarta-feira, Portugal é segundo no grupo, na presunção de que os alemães vencem os húngaros, pois não ganhando, a primeira posição será lusa; empatando, mesmo que a Hungria vença a Alemanha, Portugal será um dos melhores terceiros; perdendo com os franceses, mesmo que por dois golos de diferença, desde que os alemães não sejam derrotados, “oitavos” garantidos. A única situação em que o campeão da Europa fica fora da competição é perdendo com os franceses e a Alemanha com a Hungria, mas como os germânicos até jogam, pela terceira vez, em Munique… Portanto, como em França… Espero, espera o País!

A FRANÇA, ESSA “BESTA NEGRA”

Historicamente, apesar do triunfo em Saint Denis na final do Euro-2016, os franceses têm pregado grandes deceções ao futebol português. Mais do que as 19 vitórias em 27 jogos, porque 21 desses jogos foram de preparação, o que dói só de ler, quanto mais ver – e dois deles doeram-me mais porque estava lá… - são os desfechos em várias decisões.

Em 1984, em Marselha, nas meias-finais desse Europeu, onde Jordão, Chalana e Bento tanto brilharam, vitória francesa (3-2), com golo de Platini a um minuto do final do prolongamento; em 2000, na mesma competição e na mesma fase da prova, em Bruxelas, frente aquela que é para mim a melhor seleção portuguesa de sempre, aconteceu mais um triunfo francês (2-1), com golo de Zidane, de grande penalidade, a três minutos do termo do tempo extra; em 2006, nas meias-finais do Campeonato do Mundo, em Munique, a França venceu pela diferença mínima, com um golo de penalty, outra vez por Zidane, falta cometida por Ricardo Carvalho sobre Henry. Chega? Percebem os amigos leitores porque motivo as nossas relações futebolísticas com os franceses não podem ser boas?

É verdade que na final do Euro-2016, nas barbas do rival, que menosprezou a qualidade portuguesa e foi para a festa demasiado cedo, mesmo sem Cristiano Ronaldo durante grande parte do desafio, lesionado por entrada brutal de Payet, o selecionado soube sofrer, uniu-se e um chuto para a história de Éder colocou um ponto final em décadas a sofrer, mas já depois disso, na mais recente edição da Liga das Nações, quando tudo parecia encaminhado para a equipa das quinas chegar aos jogos de acesso a novo triunfo – Portugal venceu a primeira edição da prova -, em pleno Estádio da Luz, aconteceu a vingança gaulesa, com um golo do prodigioso Kanté. E agora, como será?

Tal como à seleção nacional, à França chega um empate para as duas formações seguirem em frente, mas nestas coisas… nunca fiando. Normalmente, quem joga para empatar, perde. E depois de ter ouvido o melhor jogador do Mundo dizer que não se importa de vencer mesmo a jogar mal… Por uma razão: quem joga bem está sempre mais perto de vencer. E Portugal, quando joga bem, quando funciona em pleno a soma de todas as partes, está (estará) sempre mais perto de vencer. Portanto, mesmo aceitando-se que as possibilidades de estar na próxima fase são imensas, o melhor que a equipa tem a fazer é atirar-se ao jogo para ganhar!!! Sejam quais forem os escolhidos de Fernando Santos. Há a previsão de que podem acontecer algumas (poucas) mudanças, mas que sejam as fundamentais para que a equipa seja isso: uma equipa!!!

ITÁLIA VOLTA A SER “MOLTO BELLA”

Como se previa, as principais seleções estão garantidas na fase seguinte da competição. Nada de surpreendente, com exceção a duas: Portugal e Espanha, que na tarde desta terça-feira tem mesmo de vencer os eslovacos para seguir em frente. A propósito, diga-se, desde já, que acontecendo aquilo que se prevê, Portugal apurado, o próximo opositor será a Bélgica ou os Países Baixos (que ideia esta de terem deixado de ser Holanda…), mas como se trata de jogo a eliminar…

Uma palavra, ainda, para um selecionado que não entrava nas minhas contas e que de repente é só aquele que melhor futebol tem praticado: a Itália. Um futebol “molto bello”, acutilante, perfeito nas suas ideias, com jogadores de alta qualidade, casos de Donnarumma, Bonucci, Locatelli, Verratti, Berardi, Chiesa, Immobile, Insigne ou Spinazzola, grupo liderado por um ex-enorme futebolista, Roberto Mancini. Ou seja: a Itália do “catennacio” foi riscada do mapa; agora, temos uma Itália que pode ser campeã da Europa!

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