Match Point

O reencontro dos “queridos inimigos”

Opinião

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Se a sorte foi madrasta para Benfica e Spartak Moscovo só o sabermos a 10 de agosto, após o segundo jogo entre os dois emblemas, no Estádio da Luz, a contar para a pré-eliminatória da Champions, mas o que está desde já garantido é que voltam a defrontar-se dois dos bons treinadores portugueses que, naquilo que diz respeito a relações desde os tempos em que Jorge Jesus estava nos leões e Rui Vitória nos encarnados… são mais frias do que as existentes entre Cuba e os EUA. Aliás, sem ponta de exagero, ninguém ficará ofendido se se disser que iremos assistir ao reencontro de dois “queridos inimigos” que, em boa verdade, ninguém sabe se chegaram a ser amigos.

No primeiro ano de Sporting, e numa altura em que a equipa leonina parecia encaminhada para quebrar o jejum na Liga que Rúben Amorim é que acabou por quebrar, já depois de três vitórias consecutivas frente ao Benfica – Supertaça, no Algarve (1-0), na Luz, para a Liga (3-0) e Taça de Portugal, em Alvalade (2-1, após prolongamento) -, JJ “abusou” do discurso e ficou célebre, entre outras, a famosa frase “é preciso ter mãos para o Ferrari”, mas nunca recebeu troco de Rui Vitória. Que, pacientemente, esperou pelo final da época (nem mesmo quando venceu em Alvalade e passou para a liderança da Liga fez reparos ao rival), para no dia dos festejos que Jesus surgia no fim da sua lista de dedicatórias… depois do homem das pipocas.

Entretanto, nas épocas seguintes, o Benfica voltou a ser campeão na segunda de JJ em Alvalade, os dois clubes em dois anos defrontaram-se mais quatro vezes e Rui Vitória saiu sempre por cima: uma vitória e três empates. Posteriormente, ambos deixaram Luz e Alvalade, escolheram a Arábia Saudita, mas quando Vitória lá chegou… já Jesus estava a caminho do Flamengo. Ou seja: data de 5 de maio de 2018 a última que se defrontaram e até ao presente dia não qualquer notícia de que tenham alguma vez dirigido um “boa tarde” ou “boa noite”. Será que vai acontecer agora? JJ diz-se mudado. E Rui Vitória já terá esquecido as provocações?

Quanto à sorte da eliminatória está tudo muito em aberto para as duas equipas. O Spartak começou a trabalhar mais cedo e quando jogar em Moscovo com os encarnados, no início do mês que vem, já soma dois jogos oficiais na Liga russa. Se essa competitividade fará diferença logo se verá, mas há uma realidade que não pode passar despercebida: caso o Benfica falhe a entrada na Champions, como aconteceu na época passada, não sei se o clube não irá às urnas mais e se JJ não terminará o contrato antes do que está acordado.

JOGOS OLÍMPICOS, TOUR E… HAMILTON

Com o futebol nos blocos de partida, mas ainda sem nada de relevante, mesmo no que diz a transferências, de e para Portugal – veremos se Mbappé sai para a o Real Madrid e se Cristiano Ronaldo viaja para Paris -, os próximos dias até a bola rolar a sério seriam ocupados com os Jogos Olímpicos, depois desse espaço ter pertencido ao Tour.

Em Tóquio, Portugal – os atletas, “staff” e jornalistas passam “as passas do Algarve” com tanta restrição, pois ali o ataque à pandemia é levado, seguramente, como a calamidade justifica – apresenta-se com um considerável lote de atletas e com alguns deles a perfilarem-se como candidatos às medalhas. Otimista me confesso, acredito em Patrícia Mamona, Auriol Dongmo, Pedro Pichardo, Telma Monteiro, Jorge Fonseca e Fernando Pimenta, ficando à espera de um brilharete dos tenistas, João e Pedro Sousa, dos ciclistas, João Almeida e Nélson Oliveira, dos mesatenistas e, especialmente, da seleção de andebol. Bem sei que estou a ser muito otimista, mas se não for agora que temos este lote especial de atletas…

O Tour foi aquilo que se sabe. Emoção, entrega, sacrifício, multidões nas estradas, mas quando Tadej Pogacar se colou à camisola amarela a história da competição ficou escrita bem cedo. Porque, realmente, nos dias de hoje, este rapaz de 22 anos é o verdadeiro fenómeno e não tem rivais – veremos o que fará nos JO, onde é candidato assumido a dois ouros. Uma palavra, ainda, para o mal-educado Mark Cavendish que igualou o lendário Eddy Merckx em número de vitórias em etapas: 34.

Finalizo com a F1: o que se passou em Silverstone deixa claro que a maioria dos pilotos é hipócrita, pois quando acontece uma situação como aquela que se viveu entre Hamilton e Verstappen as ofensas, mesmo que suaves, são mais do que muitas. Bem vistas as coisas, o piloto dos Países Baixos “andava a pedi-las”, convencido de que a sua acutilância lhe valia mais pontos do que aos outros, mas aquilo que o multicampeão inglês lhe fez… ainda vai dar pano para mangas. Uma coisa é certa: Hamilton até pode voltar a ser campeão mundial, mas vai suar as estopinhas, porque o jovem Max não lhe dará tréguas. E não será surpresa se um dia destes o inglês só parar numa barreira de pneus…

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